EXPLORAÇÃO - Infância perdida para o trabalho doméstico
Aos 7 anos, uma garota foi retirada da escola para ficar em casa cuidando do irmão caçula, um bebê de menos de 2 anos. Outra menina, esta de 5 anos, levou mordidas da própria mãe e foi espancada porque não dobrou as roupas que já havia lavado e recolhido do varal. Estes são apenas alguns dos casos mais recentes ocorridos em Londrina e que chegaram até as autoridades de exploração de crianças dentro de casa. Elas são as tristes protagonistas de um costume cruel e secular, que quase sempre vem acompanhado das mais diversas formas de violência.
Como quase sempre acontece sob a camuflagem da rotina familiar, praticamente não há estatísticas do número de crianças e adolescentes que são responsabilizados pelo excesso de tarefas domésticas. Um dos poucos retratos desta realidade de difícil mapeamento foi feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2006, por meio do estudo denominado Aspectos Complementares de Educação, Afazeres Domésticos e Trabalho Infantil, um suplemento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). De lá para cá, nenhum outro trabalho tão completo foi realizado na área.
A pesquisa mostrou que, naquele ano, quase metade (49,4%) das crianças e adolescentes realizava afazeres domésticos, o que correspondia a um contingente de 22,1 milhões de pessoas. Os dados mostram ainda que as atividades dentro de casa eram destinadas com maior frequência e intensidade às meninas. Na faixa etária de 5 a 17 anos, enquanto pouco mais de um terço (36,5%) dos homens cuidavam dos afazeres domésticos, no caso das mulheres a proporção era de 62,6% situação que se repetia em todas as faixas etárias.
● Refere-se à adolescência, fase do desenvolvimento humano que marca a transição entre a infância e a idade adulta
● Especialistas afirmam que impor precocemente responsabilidades às crianças pode provocar estresse na fase adulta





