Experiências mostram que projeto deu certo
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terça-feira, 01 de abril de 1997
Da Sucursal 
Kraw PenasWilliam, 12 anos: A gente cheirava cola e tomava banho no chafarizWilliam Mortais tem 12 anos e chama a atenção tocando gaita por onde anda. Ele vive na chácara há dois anos e meio. A família mora na Vila Marumbi, o pai faz chinelos e a mãe é costureira. Tenho quatro irmãos e eu e o meu irmão mais velho vivemos aqui. Ele veio primeiro e mandou me buscar, conta.
Os dois viviam na rua nas proximidades da padaria Pão Real, na Praça Rui Barbosa. A gente roubava nos pontos de ônibus, cheirava cola e tomava banho no chafariz, lembra. Ele disse que morou na rua durante um ano e meio e agora estuda na terceira série da escola rural próxima. Não tenho saudade da minha casa. O que mais gosto de fazer é jogar bola e andar a cavalo.
Um dos mais velhos da turma de meninos é Adilson Pereira de Souza, de 18 anos. Ele está na chácara há 3,5 anos e faz o supletivo em Mandirituba. Quero continuar trabalhando aqui na chácara. Vou cuidar de uma das casas e dos meninos menores. Quero ser educador.
Adilson, da mesma forma como a grande maioria dos outros meninos, usava drogas como craque, cocaína, maconha e cola de sapateiro. Para os que ainda não conseguiram uma desintoxicação plena é permitido que fumem quatro cigarros por dia.
Kraw PenasAdilson, 18 anos: Vou cuidar dos meninos menores, quero ser educador
A família de Adilson (pai, mãe e sete irmãos) moram no bairro Capanema. Ela já trabalhou como boleiro no Clube Curitibano mas sempre voltou para as ruas. É muito fácil comprar drogas em Curitiba. Eu arranjava no meu bairro mesmo. Ele levou três anos para se desintoxicar e também não fuma mais.
Como há muitos voluntários estrangeiros na chácara (suiços e alemães principalmente) alguns dos meninos se interessaram em aprender inglês e para isso vão a Curitiba uma vez por semana. No sentido contrário ensinam português para os estrangeiros que trabalham na chácara.


