Kraw PenasWilliam, 12 anos: ‘‘A gente cheirava cola e tomava banho no chafariz’’William Mortais tem 12 anos e chama a atenção tocando gaita por onde anda. Ele vive na chácara há dois anos e meio. A família mora na Vila Marumbi, o pai faz chinelos e a mãe é costureira. ‘‘Tenho quatro irmãos e eu e o meu irmão mais velho vivemos aqui. Ele veio primeiro e mandou me buscar’’, conta.
Os dois viviam na rua nas proximidades da padaria Pão Real, na Praça Rui Barbosa. ‘‘A gente roubava nos pontos de ônibus, cheirava cola e tomava banho no chafariz’’, lembra. Ele disse que ‘‘morou’’ na rua durante um ano e meio e agora estuda na terceira série da escola rural próxima. ‘‘Não tenho saudade da minha casa. O que mais gosto de fazer é jogar bola e andar a cavalo.’’
Um dos mais velhos da turma de meninos é Adilson Pereira de Souza, de 18 anos. Ele está na chácara há 3,5 anos e faz o supletivo em Mandirituba. ‘‘Quero continuar trabalhando aqui na chácara. Vou cuidar de uma das casas e dos meninos menores. Quero ser educador.’’
Adilson, da mesma forma como a grande maioria dos outros meninos, usava drogas como craque, cocaína, maconha e cola de sapateiro. Para os que ainda não conseguiram uma desintoxicação plena é permitido que fumem quatro cigarros por dia.
Kraw PenasAdilson, 18 anos: ‘‘Vou cuidar dos meninos menores, quero ser educador’’
A família de Adilson (pai, mãe e sete irmãos) moram no bairro Capanema. Ela já trabalhou como boleiro no Clube Curitibano mas sempre voltou para as ruas. ‘‘É muito fácil comprar drogas em Curitiba. Eu arranjava no meu bairro mesmo.’’ Ele levou três anos para se desintoxicar e também não fuma mais.
Como há muitos voluntários estrangeiros na chácara (suiços e alemães principalmente) alguns dos meninos se interessaram em aprender inglês e para isso vão a Curitiba uma vez por semana. No sentido contrário ensinam português para os estrangeiros que trabalham na chácara.

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