Experiências indicam tomada de consciência sobre a questão
Da Redação
Na Região Metropolitana de Curitiba, os agricultores poderão utilizar em breve o lodo higienizado como fertilizante. O projeto, que está em fase de licitação, é da Sanepar e tem o engenheiro Cleverson Andreoli como coordenador do programa interdisciplinar de reciclagem agrícola de lodo de esgoto.
Segundo o engenheiro, o tratamento do lodo é feito pela adição de cal virgem na proporção de 50% do total de peso. A pesquisa constatou que o esgoto de Curitiba não tem metais pesados e com a calagem há um aumento do pH e da temperatura do material, o que acaba com os patógenos que poderiam causar danos ao meio-ambiente, explica. Entre 1997 e 1998 foram testadas duas mil toneladas de lodo higienizado em áreas rurais da região metropolitana. A Emater fez o acompanhamento dessas áreas durante a pesquisa, e elas não apresentaram nenhum problema ambiental.
A companhia prevê a distribuição de 12 mil toneladas de lodo higienizado para agricultura da região no prazo de um ano. Até o final do ano, a Sanepar pretende começar o aproveitamento do lodo de esgoto produzido em estações de tratamento de Londrina, Maringá e Foz do Iguaçu.
Em Jussara, no Noroeste do Paraná, a prefeitura inaugurou no início de julho deste ano uma usina de triagem de lixo, que havia sido instalada há 10 meses e complementou o projeto de coleta seletiva, separação e destinação do lixo urbano no município. Na época da inauguração, Jussara mantinha o melhor programa de tratamento de lixo entre as 32 cidades da região de Umuarama.
Com 6 mil habitantes, Jussara produz em torno de 60 toneladas de lixo por mês. O prefeito Pedro Cândido de Oliveira (PMDB) disse durante a inauguração que a prefeitura se antecipou à lei estadual criada em janeiro deste ano, que obriga os municípios a criar programas de separação e reciclagem de lixo. A prefeitura alugou um barracão e comprou os equipamentos da usina.
O projeto foi elaborado pelo ambientalista Pedro Guimarães. A capacidade de prensagem é de cerca de 10 toneladas de plástico, papel, lata e vidro, materiais que correspondem a quase 30% de todo o lixo produzido na cidade.
Em Umuarama, também no Noroeste do Estado, a Secretaria de Serviços Públicos do Município iniciou, no começo deste mês, um projeto de palestras em escolas, empresas e clubes de serviços sobre a coleta seletiva e reciclagem de lixo, como preparatória para o Programa de Reciclagem e Coleta Seletiva de Lixo Domiciliar, que a prefeitura pretende lançar nos próximos meses.
Segundo o secretário Wilson Simões, o programa ainda não tem data para ser posto em prática. Simões considera importante conscientizar a população para começar a separar o lixo reaproveitável na origem, antes de colocar o programa em funcionamento.
Com mais de 60 mil moradores, Umuarama produz cerca de 45 toneladas de lixo diariamente. Todo material é depositado no aterro sanitário, construído há sete anos perto da saída para Maria Helena. O aterro tem vida útil de 20 anos, que poderá ser ampliada em mais de 30% com a reciclagem de lixo reaproveitável.
Mas em Rolândia, lideranças comunitárias fizeram um protesto no início deste mês no lixão da cidade, contra a demora da prefeitura em definir uma solução para o problema. Em meio ao cheiro insuportável e à fumaça tóxica que cobria a região norte da cidade, os manifestantes fizeram questão de discutir ali, por mais de meia hora, quais os caminhos para reivindicar a retirada do foco de contaminação de dentro da área urbana de Rolândia.
O aterro sanitário provocou um racha entre moradores da área urbana e da zona rural: o primeiro grupo quer a retirada do lixão de dentro da cidade e o segundo não o quer próximo de suas propriedades. O presidente do Movimento Nossa Terra, Daniel Stedle, tem feito palestras orientando para que não haja polêmicas entre campo e cidade. Participaram Edinelson Alves (Rolândia), Emerson Cervi (Curitiba) e Vânia Moreira (Umuarama).





