Experiências culturais nas escolas
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quarta-feira, 12 de março de 2014
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Londrina - Bastou a primeira brincadeira para que os alunos da Escola Municipal Reverendo Odilon Gonçalves Nocetti, na zona oeste de Londrina, entrassem no "espírito" da atividade. Na quadra esportiva, eles acompanhavam atentos a dupla Fernando Goes e Danielle Fioruci do projeto "Biblioteca Viva Itinerante em Brinquedos e Brincadeiras", que a partir deste mês vai comandar uma série de ações com toda a comunidade escolar.
No dia em que a reportagem esteve na escola, aconteceu a contação de histórias para 110 estudantes da Educação Infantil ao 5º ano. "É bem legal porque eles são engraçados, diferentes. Eles brincam e contam histórias ao mesmo tempo. Melhor do que ficar na sala de aula", comentou aluna Cristaly Paula Farias, de 10 anos.
Com um trabalho de valorização da cultura popular, Fernando e Danielle pretendem compartilhar o saber da comunidade, resgatando o ambiente lúdico na escola. Além das oficinas de brincadeiras com os alunos, a dupla atuará na formação de educadores e no próprio Jardim do Sol, onde está localizada a escola. "No segundo semestre, vamos ter uma edição da Biblioteca Viva Itinerante na praça do bairro. Queremos envolver não só os alunos, mas toda a comunidade", afirma Goes.
Essa parceria entre escola, profissionais da cultura brasileira e comunidade é uma nova realidade em 14 mil escolas - municipais e estaduais - de todo o país, que foram habilitadas no Programa Mais Cultura nas Escolas.
Cada instituição receberá cerca de R$ 22 mil do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação para promover atividades culturais ao longo do ano. A iniciativa é uma parceria dos Ministérios da Cultura (MinC) e da Educação (MEC) e tem o objetivo de democratizar o acesso à cultura e da integração de práticas criativas e da diversidade cultural brasileira.
A divulgação dos projetos selecionados e apresentados por cada escola está acontecendo em três etapas. Até o momento, 36 escolas do Paraná serão contempladas com os recursos e poderão desempenhar os projetos culturais, dentro ou fora do ambiente escolar.
Um levantamento feito pelos ministérios da Cultura, da Educação e do Desenvolvimento Social com base nas escolas selecionadas no programa, aponta que 67% do total de 14 mil têm a maioria dos alunos beneficiados pelo Programa Bolsa Família.
Oportunidade
Segundo a diretora da Escola Odilon Nocetti, Silvana Aparecida Alves Morais, boa parte dos alunos é moradora do Jardim Nossa Senhora da Paz. "Esse projeto é bem-vindo aqui porque nossa ideia é fazer com que os estudantes se interessem mais pelo ambiente escolar, além de reunir a família. Sem contar, que é uma boa forma deles conhecerem outras possibilidades", diz.
Em Londrina, além da Odilon Nocetti, a Escola Estadual Olavo Garcia Ferreira da Silva, também na zona oeste, foi selecionada. A diretora Judith Santana Palazzo explica que um grupo de professores e conselheiros se interessou pela inscrição, por entender que era uma boa oportunidade de ofertar aulas de capoeira e hip hop para os 500 alunos do Ensino Fundamental.
"Escolhemos dois temas que são de interesse dos alunos. O hip hop e a capoeira têm uma linguagem e expressão corporal que são do gosto deles. Em troca, acho que vamos conseguir diminuir a evasão escolar, que é nosso grande desafio hoje. O tráfico está ganhando cada dia mais os nossos alunos e acho que oficinas como essas, são uma boa maneira de mantê-los mais tempo na escola", declara. Os recursos serão gastos com materiais de consumo, instrumentos e uniformes.
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