O projeto que foi visto como uma solução para o impasse da demanada por casa própria em Londrina teve um dos mais tristes fins com os novos planos de habitação adotados pela Companhia de Habitação de Londrina (Cohab), a partir do mês passado. Criado em junho de 1999, o Poupalar provocou quilométricas filas, atraindo mutuários de diferentes classes sociais. Das 27 mil pessoas que aderiram à iniciativa, hoje ainda restam 700 contribuintes, que, de acordo com a Companhia, terão preferência dentro da mobilização que prevê a construção de 1,5 mil novas casas na cidade.
Difícil chegar a um consenso quanto as causas para seu fracasso. Segundo Tito do Valle, coordenador do Procon de Londrina, a falta de confiabilidade foi a razão mais citada pelos mutuários que entraram com reclamações. ''A Cohab parou de construir, o que deixou muita gente preocupada'', afirma. Valle também critica o sistema de poupança do projeto, em forma de pirâmide. ''Teria que continuar entrando sempre mais gente para sustentar o projeto. Ele se mostrou inviável'', complementa.
A partir de março deste ano, moradores e representantes do Procon reuniram-se duas vezes. Também foi realizada uma audiência pública, com participação do Ministério Público, e de representantes da Cohab e do município, para discutir providências que deveriam ser adotadas, sanando algumas das maiores reclamações dos moradores. Entre elas, estavam a má impermeabilização das construções, a colocação de um revestimento interno, correção de vícios de construção e questões contratuais.
Dentro das 908 unidades entregues pelo Poupalar, também houve diferentes denúncias. O que incomodou os moradores do Residencial Novo Horizonte (zona norte), foi a qualidade do material utilizado e a pequena metragem dos apartamentos. Já no Residencial Ilha Bela (zona leste), as infiltrações têm sido o maior problema. A Cohab iniciou as reformas locais, na semana passada.
Orçada entre R$ 200 mil e R$ 300 mil, a reforma prevê a colocação de reboco nas paredes laterais das casas, mais expostas às chuva, e a reparação de rufos e contra-rufos. ''A Cohab diz que são as causas do problema'', conta José Inacio da Silva, um dos presidentes da comissão de ação e obra dos moradores. Os problemas gerados pela água podem ser vistos na maior parte dos apartamentos. No do tapeceiro João Cateoni, 34 anos, um buraco de um metro de diâmetro surgiu após uma forte chuva. ''Estávamos assistindo televisão e de repente todo um pedaço do gesso acartonado veio abaixo'', lembra.
Carlos Eduardo Afonseca e Silva, presidente da Cohab, acredita que a desistência de mais de 26 mil mutuários teve como principal motivo a crise política que culminou com a cassação do prefeito Antônio Belinati, e aos boatos da época, de que o próprio dinheiro aplicado no Poupalar estaria sendo transferido para o caixa da prefeitura.

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