EXPERIÊNCIA BEM SUCEDIDA
Equipe do Programa Saúde da Família de Ibiporã visita residência de paciente (no detalhe) do município; segundo coordenadores do congresso que será realizado em Londrina no final de semana, países desenvolvidos como o Canadá reduzem custos com projetos semelhantes
João José Batista de Campos, coordenador do congresso e professor do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), lembra que apenas quatro equipes trabalham no programa em Londrina, enquanto municípios menores contam com um número muito maior de equipes. A rede de saúde existente já não está dando conta da demanda em Londrina. O Programa Saúde da Família pode ser uma estratégia para diminuir a necessidade de hospitalizações.
Campos cita o exemplo de países como o Canadá, onde o programa foi adotado com sucesso há cerca de 15 anos. De acordo com o professor, os canadenses investem US$ 800 por habitante/ano em saúde, enquanto os americanos gastam em torno de US$ 4 mil por habitante/ano. Além do investimento menor, os indicadores de saúde no Canadá entre eles mortalidade materna e infantil, números de acidentes de trânsito e mortes por doenças infecciosas são melhores.
O PSF tem como diretriz a promoção da saúde de forma global e vem sendo incentivado pelo governo federal como estratégia de reorganização da saúde pública. Equipes formadas por médico, enfermeiro, auxiliar de enfermagem e agente comunitário de saúde trabalham dentro das comunidades e conseguem, onde a estratégia foi implantada de fato, aumentar a resolutividade dos serviços, diminuir a procura por serviços hospitalares e promover uma melhoria nos indicadores de saúde. De maneira geral, a iniciativa agrada a população, que se beneficia da maior aproximação com os profissionais de saúde.
Para João José de Campos e Célia Regina Rodrigues Gil, também docentes do CCS, é importante abrir o debate sobre a política municipal de sa© úde junto à população, para que ela conheça outras alternativas ao uso dos recursos públicos em saúde, diferentes das que vemos noticiadas nos jornais diariamente. Os professores afirmam que o atual modelo adotado privilegia apenas o aumento de leitos hospitalares, a construção de novos hospitais e prontos-socorros, em detrimento de investimentos que visem, efetivamente, a melhoria da qualidade de vida e saúde da população.
A gerente do Programa Sa© úde da Família em Londrina, Sonia Alvares Spagnolo, informou que Londrina aderiu ao PSF em abril de 1995 e hoje as equipes atendem apenas os distritos de Irerê, Taquaruna, Paiquerê, Guairacá, Lerroville e Guaravera. A população atendida é estimada em 16 mil habitantes.
Segundo ela, cada equipe recebe um incentivo de R$ 28 mil por ano. Mas quem mantém mesmo o serviço é o Município. Ela observou que o programa tem ótimos resultados junto à população, à medida que cria vínculos com a equipe de saúde. Nos últimos dois dias a Folha tentou ouvir o secretário de Saúde do município, Agajan Der Bedrossian, sobre a possibilidade de expandir o PSF em Londrina. O secretário não foi localizado e tampouco deu retorno aos telefonemas feitos.





