Primeiro de Maio - Na semana passada, moradores das margens do Rio Paranapanema, em Primeiro de Maio (Região Metropolitana de Londrina), viram passar no céu dois paramotores. A bordo de um deles estava o piloto e ambientalista Lu Marini. No outro, o cinegrafista Leandro Saad. Os dois fazem parte de uma equipe de 11 pessoas que desde 2009 se dedica a realizar expedições pelo Brasil e exterior. A aventura pelo Rio Paranapanema começou em 22 de março, data em que se comemora o Dia Mundial da Água, e terminou ontem, no município de Rosana (SP). Em 15 dias, ele percorreu os 929 quilômetros do rio, desde a nascente, na Serra Agudos Grandes, no município de Ribeirão Grande (SP), até a foz no Rio Paraná, em Rosana. Foram 32 horas de voo e 18 municípios visitados. A expedição integra o Projeto RIOS, que em 2014 rastreou os rios Tietê e São Francisco, e deve passar ainda pelos rios Doce, Araguaia e Tocantins.
Do alto, Lu Marini capta imagens e observa as características geográficas da região. Em solo, coleta depoimentos da população do entorno do rio. Todo o material será reunido em um documentário e em um livro. "O que me impressiona no Rio Paranapanema é a preservação da mata ciliar. Na maioria dos locais onde já sobrevoei, as áreas de pasto e cultivo vão até a margem do rio. Aqui, a área mínima de 30 metros determinada por lei é mantida."
No trecho da Represa de Jurumirim, no município de Piraju (SP), Marini ficou impressionado com a paisagem. "É uma região muito bonita, com muito relevo e floresta preservada."
Nesta expedição específica, o ambientalista decidiu incluir também ações que visam ao combate do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e febre chicungunya. Marini fotografa e registra em GPS os locais que possam servir de criadouro ao mosquito e depois repassa as informações às prefeituras locais. "Já vi ferro-velho a céu aberto, caixa d’água sem proteção e tambores." Nas visitas que realiza em escolas para relatar suas aventuras, ele também aproveita para distribuir aos estudantes sementes de crotalária, uma planta que atrai libélulas, predadores naturais do Aedes aegypti.
No Rio Paranapanema, o que chamou a atenção de Lu Marini foi a ausência da população ribeirinha. "Aqui, o rio tem uma função de lazer para as pessoas que vivem próximas a ele. O rio é o local onde eles vão pescar, nadar, andar de jet ski. A figura do ribeirinho é quase inexistente. No Rio São Francisco, a relação do homem com o rio é mais forte. Lá, ao conversar com a população, muitas vezes ouvi as pessoas dizerem que o São Francisco, para elas, era o pai e a mãe. É mais comum encontrar pessoas que vivem da pesca e do plantio e dependem integralmente do rio", comparou.
Apesar de ser ambientalista, Lu Marini ressalta que não realiza nenhum trabalho técnico. O foco de suas expedições, conta ele, é conhecer os rios, a população que vive em seu entorno e os problemas vivenciados por ela. "Direciono os meus esforços para trabalhar com as futuras gerações. Hoje, não vai mudar nada, mas as crianças têm uma consciência diferente dos problemas ambientais. Tirando o lado da aventura, do entretenimento, o conteúdo que eu produzo tem o objetivo de levar uma mensagem."

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