ReproduçãoPato-mergulhador: procuradoA expedição do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) realizada no Parque Nacional do Iguaçu para encontrar o pato-mergulhador (Mergus octosetacus) - ave rara e ameaçada de extinção - não conseguiu localizar a espécie. Porém, os pesquisadores encontraram cerca de 100 aves raras, das quais 20 ameaçadas de extinção.
A expedição, composta por biólogos, ornitólogos (estudiosos de pássaros) e um fotógrafo do Ibama, ficou oito dias embrenhada nas matas do parque. O trabalho, segundo o chefe da equipe, o biólogo e ornitólogo Roberto Bóçon, ficou concentrado nas margens do Rio Floriano, onde se registra corredeiras e cachoeiras, que são condições ideais para a sobrevivência do pato-mergulhador. O rio nasce e ‘‘morre’’ dentro do parque (deságua no Rio Iguaçu), sem sofrer poluição ou interferência do homem.
O Rio Floriano, segundo os ornitótologos, seria um habitat ideal para o pato-mergulhador. Porém, por causa das dificuldades de acesso, a expedição só conseguiu navegar um terço do rio. Além de usar um barco, os pequisadores tiveram que caminhar 20 quilômetros pela margem. ‘‘O Rio Floriano é o ambiente do pássaro mas, infelizmente, não conseguimos percorrê-lo por inteiro’’, lamenta Bóçon.
Para localizar a espécie, os pesquisadores utilizaram aparelhos sofisticados como o ‘‘play back’’, um equipamento que reproduz o som da ave em época de acasalamento. A expedição deve voltar ao Parque Nacional do Iguaçu no ano que vem.
A intenção é navegar outros rios dentro do parque como o Rio Silva Jardim, que também possui várias cachoeiras e corredeiras. ‘‘Perdemos a época de acasalamento, mas voltaremos mais tarde para tentar localizar o pato-mergulhador’’, promete Bóçon.
O pato-mergulhador é originário da América do Sul e está em extinção. No Sul do Brasil, a espécie foi vista apenas duas vezes: em 1922, em Ivaiporã (na região central do Paraná), e em 1956, nas Cataratas do Iguaçu (no Oeste).
Apesar de não obter sucesso na procura pelo pato-mergulhador, os pesquisadores encontraram pássaros raros como o urubu-rei, o pica-pau-rei e o periquito cuiú-cuiú, que não estavam catalogados no Parque Nacional do Iguaçu.
DenúnciaBóçon aproveitou a expedição para denunciar que o Parque Nacional do Iguaçu está sofrendo depredação. ‘‘O pato-mergulhador pode estar no parque e estar escondido, com medo de caçadores’’, diz. Todas as aves encontradas, segundo ele, estavam ariscas, um comportamento comum de pássaros acostumados com a presença de caçadores.

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