Expedição faz levantamento do ecossistema brasileiro
Maigue Gueths
De Curitiba
Quase 250 dias depois de ter saído de São Paulo e de já ter percorrido as regiões sul, sudeste e parte do centro-oeste, a expedição Brasil 2000: 500 anos em 500 dias esteve ontem, em Curitiba, para contar sua experiência a professores e diretores de escolas municipais. Segundo um dos integrantes da equipe, o geólogo Sérgio Rondelli, esta é a principal proposta da viagem, que pretende, justamente, dividir o conhecimento adquirido com educadores, alunos e empresários por todo o País.
Queremos conhecer os ecossistemas brasileiros e estabelecer a relação do ambiente com a população local, diz Rondelli. Além do geólogo, fazem parte da expedição o cinegrafista Alex Krusemark e o fotógrafo Canário Caliari. O material colhido já soma 20 mil fotos e 80 horas de vídeo. A intenção é reunir este material, no final da aventura, e editar livros, CD-Room e vídeos temáticos sobre educação ambiental e ecossistemas. Mas o grande produto da nossa expedição é o conhecimento que estamos adquirindo e que pode ser passado a outras pessoas, diz o geólogo.
Segundo os aventureiros, a idéia de usar os ecossistemas como indicativos do Brasil nasceu porque eles consideram a divisão política do País artificial. Se alguém chegasse ao Brasil, de avião, há 500 anos não veria os estados, mas sim os ecossistemas. O Pantanal, por exemplo, seria visto como um todo, embora ele esteja no Mato Grosso, no Mato Grosso do Sul e entre pela Bolívia, justifica Rondelli. Por isso, eles pretendem visitar desde os pampas gaúchos, passando pela mata das araucárias, a mata atlântica, o cerrado, pantanal, Amazônia e caatinga. Nos locais, estão levantando um acervo de informações, com depoimentos da população das regiões.
A expedição saiu de São Paulo no dia 9 de dezembro de 98 e pretende viajar até 22 de abril de 2000, quando chega a Porto Seguro. Ao todo, serão percorridos 100 mil quilômetros em 500 dias de viagem. Com patrocínio do Banco do Brasil e Fuji Film, a viagem tem custo total estimado em R$ 600 mil. Eles também têm apoio da empresa curitibana Acampar, que forneceu equipamentos e material de camping, e da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira, que está garantindo a hospedagem.





