Não há contra-indicação em apresentar a criança ao mundo das letras logo na primeira infância, afirma o neuropediatra Efigênio Sílvio de Castro Junior. Mas deve-se tomar o cuidado de não criar expectativas demais a respeito disso, alerta, porque antes dos cinco anos de idade a criança ainda não atingiu grau de maturidade suficiente para ler e escrever efetivamente.
Entende-se por essa maturidade o desenvolvimento de habilidades como a coordenação motora, o equilíbrio, a memória ou a capacidade de adquirir movimentos automatizados. ''Aprender tem relação direta com a memória. E a memória é um processo bioquímico que se dá por meio da experimentação, da repetição, e a criança vai adquirindo isso ao longo de tempo. E há movimentos que ela aprende, reproduz e automatiza como, por exemplo, amarrar o cadarço. Você aprendeu e hoje amarra o cadarço sem pensar. A criança de cinco anos não tem isso ainda'', exemplifica o neuropediatra.
Segundo Castro, não há um tempo pré-estabelecido para iniciar a criança no processo de alfabetização. No entanto, ele considera que a partir dos seis ou sete anos a criança sai de uma fase mais intuitiva para entrar em uma fase mais concreta, mais conceitual, e começa a adquirir características como lógica e raciocínio. ''Mas até esse período, não'', enfatiza.
O neuropediatra pondera que o aprendizado se dá partindo da formação instrínseca, a maturidade, mas também depende muito das condições extrínsecas, como a relação que a criança tem com o meio e a maneira com que ela é acolhida e estimulada. ''O que tem que ter é o meio termo. Tomar cuidado para não cobrar da criança aquilo que ela não está pronta para dar e evitar comparações. Muitas vezes os pais comparam o filho com o sobrinho ou com o amiguinho da escola e acabam se frustrando. Deve haver cuidado em não projetar a ansiedade deles na criança'', finaliza. (M.F.C.)

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