Expectativa no primeiro dia de prova
Os vestibulandos, que realizaram provas no Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa) ontem de manhã, eram pura ansiedade. Sozinhos ou em pequenos grupos, eles aguardavam a realização das provas, que acontecem de forma individual.
Mãalomai Karitiawa Aikanã, 23 anos, estava concentrado, revendo os livros. ''É uma expectativa grande. Estou ansioso mas estudei bastante e estou preparado.'' O estudante está morando há três anos em Curitiba, onde cursou escola pública antes de se inscrever no vestibular de Administração (a segunda opção dele é Comunicação Social).
Mãalomai veio de Porto Velho, Rondônia, mas até os três anos de idade viveu na aldeia Kunã, onde hoje moram cerca de 480 índios. ''Quero estudar para administrar melhor a associação dos povos indígenas, que precisa de uma melhor organização para que o povo viva melhor.'' Ele considera importante cursar a faculdade e pensa em orientar as crianças da aldeia a estudar e ter formação universitária. ''Precisamos criar um novo tipo de liderança que saiba aplicar na prática o que foi aprendido na teoria. Brancos e índios são todos iguais. O que nos diferencia são as culturas, que podem ser unidas e se complementar. Quero ajudar a administrar a barreira entre brancos e índios.''
Também ansioso, já na porta da sala, estava o vestibulando Aluary Kriegel, de 21 anos. Ele presta o vestibular para Agroecologia, que pretende cursar em Matinhos (extensão da Universidade Federal do Paraná). Estudante de escola pública, ele pretende se formar e trabalhar na área ambiental, a exemplo do irmão mais velho, que também faz a faculdade e tem planos de trabalhar para a comunidade. ''É muito importante que a gente estude, trabalhe e possa fazer algo pela nossa gente''. (M.O.)





