Aquele velho desejo da infância - ‘‘Mãe, posso ter um cachorrinho?’’ - pode adquirir facetas muito mais excêntricas quando o assunto é animal de estimação. Seja por falta de espaço ou de paciência para cuidar de um animal que demanda atenção e afago, ou simplesmente querendo ser diferentes, algumas pessoas acabam optando por bichos bem mais exóticos.
Quantas pessoas, por exemplo, criariam uma moréia dentro de um aquário? O fotógrafo Jonas Júnior, fascinado pelas coisas do mar, é um. Considerada um peixe de poucos atrativos pela maioria das pessoas, por sua semelhança com uma cobra com cara de poucos amigos, a moréia Luísa era, até há bem pouco tempo, a hóspede do aquário de Jonas. Praticante de mergulho submarino, ele escolheu esse peixe por sua coloração vibrante - pode ir do amarelo ao castanho - e porque dispunha de pouco espaço. ‘‘Por morar em um apartamento pequeno, achei que seria ideal comprar um aquário.’’
Albari RosaJonas explica que o nome Luísa foi inspirado em uma composição de Tom Jobim. Segundo o fotógrafo, Luísa sempre chamava a atenção de quem o visitava, por ser um animal de grande porte e aspecto agressivo. ‘‘Em um ano e meio ela cresceu bastante e atingiu 90 centímetros, e tinha uma boca enorme’’, conta. No fim do ano passado, Luísa morreu. Agora, Jonas está à procura de uma substituta, e não acha caro pagar R$ 140 por ela.
Ramster - A falta de espaço foi também o que orientou a professora de Educação Física Wolda Reis Santos na hora de comprar um bichinho de estimação para os filhos Leonardo, de 9 anos, e Thaís, de sete. ‘‘Adotamos um ramster porque é um animal que faz pouca sujeira e sua gaiola ocupa pouco espaço’’, explica.
Wolda conta que o ramster Teco não dá trabalho e tem hábitos noturnos - ele passa boa parte da noite se movimentando na gaiola. Essa característica do bichinho já rendeu pelo menos uma história pitoresca. Teco aproveitou um momento de esquecimento, quando a porta da gaiola ficou aberta, para perambular pelo apartamento. Acabou se escondendo em uma fresta sob a banheira de hidromassagem. Sem desconfiar da fuga do ramster, Wolda foi acordada no meio da noite por ruídos estranhos no banheiro e pensou que fosse um rato. Sem poder contar com a ajuda do marido - que estava viajando - Wolda passou horas imaginando como se livrar do suposto rato. ‘‘Aí me lembrei do Teco e fui verificar sua casinha. Dito e feito: ele tinha fugido’’, lembra.

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