Exonerados seguranças da Casa de Custódia
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terça-feira, 22 de julho de 2003
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Depois de receber o relatório da sindicância aberta para apurar denúncias de maus tratos e torturas contra presos na Casa de Custódia de Londrina (CCL), a Secretaria de Estado da Justiça exonerou, no início desta semana, o chefe de segurança, Jaicler Marques da Silva, e o gerente operacional da unidade, capitão Diórgenes Gonçalves. Outros três agentes de disciplina foram afastados de suas funções e deverão ser demitidos. O procedimento é similar ao que foi adotado contra a Casa de Custódia de Curitiba (CCC), que também sofreu sindicância para apuração de maus tratos contra os internos. A denúncia contra os agentes da CCL foram feitas pelo Centro de Defesa dos Direitos Humanos (CDH) de Londrina.
O coordenador-geral do Departamento Penitenciário do Estado (Depen), coronel Justino Sampaio, afirmou que na sindicância ficou caracterizado o desvio de conduta dos agentes e a omissão dos dois responsáveis pela segurança. ''Em qualquer prisão do mundo existe desvio de conduta, mas o que não vamos permitir é que isso se torne uma prática.'' Ele lembrou que existem mecanismos para garantir a disciplina dentro das prisões e que deveriam ter sido seguidas. O relatório com o resultado da investigação feita na CCL está com o secretário de Estado de Justiça, Aldo Parzianello.
O presidente do CDH de Londrina, Gelson Gil, disse que a decisão do secretário estadual de Justiça reforça a tese de que as denúncias tinham fundamento.
O diretor da CCL, major Edison Marcos Tomaz, afirmou que desconhecia o teor da sindicância. Mesmo assim, rebateu as denúncias e garantiu que ''não há tortura na CCL''. Ele comentou que pode ter havido ''o emprego de força visando a manutenção da ordem e da disciplina''. Todas as denúncias feitas até hoje, segundo ele, foram ou estão sendo apuradas.
Tomaz revelou que diversos agentes de disciplina já foram demitidos ou afastados de suas funções e que outros estão respondendo a inquéritos policiais. Ele afirmou ainda que o gerente operacional exonerado já havia entregado o cargo há cerca de 15 dias.
O Instituto Nacional de Administração Penitenciária (Inap), que administra as Casas de Custódia de Londrina e de Curitiba, foi procurada ontem à tarde, mas nenhum diretor foi localizado. A reportagem também contatou deixou recado na casa do chefe de segurança, mas ele não retornou a ligação. Gonçalves não foi localizado.


