Santa Amélia - O olho pode se enganar ao ver o coreto na avenida principal cheio de gente, mas o fato é que a população de Santa Amélia (Norte Pioneiro) encolheu 13% (de 4.407 para 3.804) nos últimos dez anos. Os reflexos são claros, por exemplo, no maior colégio da cidade, onde as salas estão cada dia mais vazias.
No hospital, os partos continuam acontecendo - média de três mensais - e a creche municipal está lotada. Sinais de que a natalidade se mantém perene. A situação se inverte quando se entra no antigo mas conservado prédio da Escola Estadual Prefeito Carlírio Gomes dos Santos.
A diretora Angélica Rodrigues de Ângelo, revela que a taxa de ocupação das salas cai ano a ano. A escola que chegou a ter perto de mil alunos - ''oito turmas só no noturno'' - hoje não passa dos 320. Nas salas, a confirmação: carteiras vazias e turmas com, no máximo, 20 alunos. ''A evasão não é por abandono. Os alunos nos deixaram porque suas famílias foram embora'', comenta a educadora. Com menos estudantes, a escola perdeu funcionários, deverá ter a verba reduzida e teme o futuro.
Entre os alunos, o clima também é de incerteza. ''Meu pai está pensando em ir para São Paulo, porque tem um irmão que mora lá'', fala Ana Paula do Nascimento, 11 anos. José Eduardo da Silva, 14, tem um irmão em Conchas (SP) e diz que pretende ir também daqui um tempo. Sara da Cruz Durão, 13, quer sair para estudar Medicina.
Pelas ruas, é fácil encontrar gente saudosa dos que partiram. O servidor público aposentado Ovídio Ranucci, 77 anos, pensa nos filhos que vivem em Cornélio e em Santa Catarina e nos netos. ''Quem fica, fica também com a saudade'', emociona-se. O casal de filhos do empresário Jairo Gomes dos Santos, 54, mora em São Roque (SP). O comerciante Edson Mine Gonçalves, 63, recorda dos filhos que vivem no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. ''Eles foram trabalhar e não pensam em voltar. Sinto saudades também dos netos, que vejo só uma ou duas vezes por ano.''

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