Maringá - Diante do declínio da taxa de fecundidade (número de filhos por mulher), a queda do crescimento da população brasileira não chegou a surpreender os demógrafos. Esta é a tendência demográfica de todo o Ocidente. No caso do Paraná, porém, o Censo 2010 indica transformações significativas no processo de crescimento urbano e, principalmente, metropolitano. Segundo Ana Lúcia Rodrigues, doutora em Sociologia Urbana e com pós-doutorado em Urbanismo, houve uma reversão do histórico adensamento demográfico nos municípios localizados na periferia das sedes metropolitanas.
A socióloga, que coordena o Observatório das Metrópoles - Núcleo Universidade Estadual de Maringá (UEM), argumenta que a taxa de crescimento de 0,88% foi mantida no estado, mas houve uma inversão de crescimento. ''Historicamente Curitiba, Londrina e Maringá cresciam menos que as suas cidades vizinhas, e o mesmo não ocorreu na última década. Estas cidades cresceram mais que os municípios do entorno'', explica, lembrando que Curitiba, Londrina e Maringá tiveram respectivamente um aumento populacional de 2,7%; 1% e 2%.
Ela ressalta que os 42% dos municípios paranaenses que apresentaram taxas negativas de crescimento estão em áreas cuja estrutura econômica tem base agropecuária e atividades primárias tradicionais, sem incorporação de tecnologias modernas. Ana Lúcia lembra que os dois municípios que mais perderam moradores no estado, Altamira do Paraná e Nova Cantu, estão região Centro-Oeste do Estado.
''Mais de 60% da população de Altamira é rural e mais de 50% dos moradores de Nova Cantu estavam na área rural, incluindo os segmentos da População Economicamente Ativa (acima de 10 anos). Ou seja, se houve grande perda populacional, possivelmente tenha sido nesse segmento de moradores, carentes de postos de trabalho, buscando-os nas cidades maiores.'' Segundo a socióloga, a queda nos postos de trabalho e a queda da taxa de fecundidade são duas das variáveis responsáveis pela diminuição do crescimento populacional nos entornos metropolitanos, bem como no interior paranaense.

Políticas públicas

Ana Lúcia afirma que cada vez mais o adensamento demográfico se vincula a um conjunto de políticas econômicas que conseguem atrair investimentos e, em consequência, população. ''Isso mostra que há uma falta de políticas públicas regionais que consigam manter a população nos pequenos municípios, como por exemplo, projetos de geração de emprego e renda, fazendo com que muitos municípios tenham nas transferências governamentais, principalmente o FPM e as transferências de receitas correntes (educação e saúde), suas maiores fontes de recursos.''
Para a socióloga, a redução no tamanho demográfico de quase metade dos municípios paranaenses é um claro sinal de que as altas taxas de crescimento estão concentradas em apenas alguns municípios. ''Ou seja, concentra-se população porque os investimentos econômicos também estão sendo concentrados. Este é um problema que não pode ser resolvido no âmbito municipal, e sim com planejamento regional, que rompa o desenvolvimento baseado em desigualdade e injustiça social, além de desinteresse, incompetência e omissão dos gestores públicos'', alerta.

mockup