ÊXODO NO INTERIOR Falta de emprego expulsaos mais novos
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sábado, 19 de fevereiro de 2011
Marian Trigueiros <br> Reportagem Local 
Borrazópolis - Ao andar pelas ruas de Borrazópolis e Grandes Rios, no Centro-Norte, a primeira coisa que chama a atenção é a ausência de jovens nas ruas. Vê-se muitos idosos e crianças. Conversando com pessoas que moram há várias décadas, a confirmação dos dados do Censo: a população diminuiu, e muito. Borrazópolis, com 7,8 mil, perdeu mais de 1,5 mil habitantes nos últimos dez anos - redução de 16,6%. ''Essa cidade era movimentada demais, chegou a ter mais de 35 mil pessoas. Na década de 70, no auge do café, não dava tempo nem de almoçar tanto era o trabalho'', lembra o sapateiro Silvestre Braz de Araújo.
Agora aposentado e com seus 82 anos, seu Silvestre passa os dias em frente à loja. As portas baixadas há quase um ano, já que não consegue locar o espaço, são indicativo de que as coisas estão difíceis. ''Antigamente o povo da roça tinha dinheiro no banco. Hoje, os que ficaram só têm dívidas.'' Foram poucos os que ficaram. Estima-se que mais de 70% da população rural tenham ido para outras cidades. ''Famílias inteiras foram embora. Atualmente, os filhos dos que ficaram saem em busca de emprego fora'', diz o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Sebastião Gomes.
Emprego para os jovens, ou melhor, a falta dele, parece ser mesmo o motivo que tem levado milhares a saírem de Borrazópolis. Comerciante há mais de 50 anos, Ramiro Dias revela que chegou a ter oito funcionários em sua antiga loja de secos e molhados. ''Era muita gente para atender.'' Em sua loja de ferramentas, agora, apenas um toma conta de tudo.
Festas
Em Grandes Rios, que perdeu mais de 1,2 mil habitantes na última década (redução de 15,7%), a situação é bem parecida. Faltam empregos e opção aos jovens. Por este motivo, Fernanda Muniz, 19 anos, viaja todos os dias. ''Estudo Administração em Ivaiporã e provavelmente vou embora quando terminar. Aqui, ou se é agricultor ou funcionário público. Não tem fábrica, indústrias'', comenta ela, que trabalha numa farmácia no contraturno.
E empregos desse tipo realmente são as que mais oferecem vagas. Para se ter uma ideia, o maior mercado é o que mais emprega depois da prefeitura. São 24 jovens no quadro de funcionários. ''Para muitos deles, este é o primeiro emprego e a única oportunidade. Alguns deles aproveitam para conciliar com a faculdade'', diz a sócio-proprietária Sandra Barreto.
E se a economia frágil é o que tem espantado os jovens, na época das festas de final de ano, a cidade recebe seus ''filhos''. O diretor clínico do Hospital Municipal, Éditon Pimentel, diz que os atendimentos chegam a dobrar. ''Nos plantões desse período encontro várias pessoas que moravam aqui e até mesmo aqueles que nasceram na minha mão. É quando percebemos quantos foram embora'', revela.


