Londrina – Os dados demográficos levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Censo 2010 trouxeram à tona números preocupantes para 169 municípios do Paraná (42,3% do total), que nos últimos 10 anos apresentaram redução no número de habitantes. Além de tratar-se de um importante termômetro das oportunidades locais e da qualidade de vida, os resultados trazem, para alguns deles, a indesejável redução na cota do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), uma das principais fontes de recursos para a maioria.
  Segundo informações da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), 11 cidades tiveram a receita diminuída após o Censo 2010, por não alcançarem o número de habitantes previsto pelo IBGE em 2009. A estimativa vinha servindo como base de cálculo dos repasses federais, que são originados da arrecadação total de Imposto de Renda (IR) e Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), na proporção de 23,5%. A partir de agora os coeficientes para cálculo do FPM de cada município serão definidos pelos números do censo.
  A lista de municípios que viram sua população diminuir é encabeçada por Altamira do Paraná, com -38,8%, seguida de Nova Cantu, com -25,1% – ambas no Centro-Oeste. O chefe de gabinete de Altamira, Ataliba Pedro dos Santos, credita grande parte do problema ao êxodo registrado até 2007, quando parcela considerável da população sucumbiu às deficiências de infraestrutura e falta de empregos. ‘‘Sofremos com a falta de boas estradas e investimentos na área de educação, mas estamos conseguindo reverter o quadro. Antigos moradores estão voltando para a cidade e movimentando o comércio da construção, por exemplo’’, argumenta.
  Conforme Santos, o município que viu sua população cair de 7.037 habitantes para 4.306, não tem potencial para grandes investimentos. A saída tem sido o estímulo à avicultura, à sericicultura e à apicultura como forma de diversificar a renda dos pequenos produtores e gerar perspectivas de trabalho e renda. ‘‘Recursos também têm sido canalizados na recuperação de estradas, em educação e na melhoria da qualidade de vida da população, com ampliação da rede de abastecimento de água potável’’, completa.
  Análise feita pelo pesquisador Anael Cintra, do Núcleo de Estudos Sociais e Populacionais do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), aponta que as regiões Centro-Oeste e Norte Pioneiro se mantêm entre as que mais sofrem perdas na população, porém em ritmo menor na última década. Segundo o levantamento, a taxa de crescimento de 0,88% observada até o momento para o Paraná está abaixo do esperado quando considerada a Estimativa Populacional do IBGE para 2009 (1,12%) e a Projeção de População do IBGE para 2010 (1,20%).
  As conclusões sugerem alterações significativas nos parâmetros demográficos, em especial queda acentuada na taxa de fecundidade e diminuição dos fluxos migratórios que na década de 1991/2000 contribuíram para as altas taxas de crescimento observadas nos municípios da Mesorregião Metropolitana de Curitiba. De acordo com Cintra, porém, não há consenso sobre o que é de fato variação significativa, em se tratando de população.
  O pesquisador explica que se a diferença entre a população apurada pelo Censo e a estimativa do IBGE ou a projeção do Ipardes for de até 5%, é porque o município está mantendo o padrão populacional do período anterior. Se o índice ficar entre 5% e 10% há indícios de mudança no padrão do município, e se ultrapassar o índice de 10% é porque há uma mudança significativa em curso, com taxa de crescimento ou de redução maior que o esperado.

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