Voltar a estudar, retomar um projeto de vida, concretizar um sonho. Existe uma idade certa para isso? A história de vida do instrumentista aposentado José Marques de Oliveira mostra que não. No auge de seus 81 anos, o mineiro, natural de Silvianópolis conclui este ano o Ensino Médio no Centro Estadual Integrado de Educação Básica para Jovens e Adultos (CEIEBJA) Herbert de Souza, localizado no Jardim Itamaraty (zona oeste de Londrina), e já planeja o ingresso na Universidade Estadual de Londrina (UEL), no curso de História.
É para que histórias como a de Oliveira se multipliquem que o Fórum Paranaense de Educação de Jovens e Adultos – Região de Londrina inicia este mês uma campanha de divulgação das matrículas e da própria EJA. Participam do Fórum professores, diretores, alunos, além de diferentes setores da sociedade civil organizada.
Segundo um dos coordenadores do Fórum, Ivo Ayres, estão previstas reuniões com a comunidade escolar nas 10 instituições que oferecem EJA do município, distribuição de panfletos e debates sobre o assunto, entre outras ações. Ayres detalha que os objetivos da campanha são divulgar que as matrículas da EJA estão abertas; que as pessoas têm a possibilidade de retomar os estudos de forma gratuita e que este ensino é de qualidade e atende as especificidades de cada aluno.
"O que a gente defende é que a pessoa, em qualquer idade, tem o direito de voltar a estudar para sua própria formação humana e para que ela possa ter novas perspectivas e conhecimentos. O próprio mercado de trabalho exige uma qualificação melhor", enfatiza Ayres, que é professor do CEIBJA. "Além disso, a iniciativa de retomar os estudos é importante no próprio meio familiar, um pai ou uma mãe que volta a estudar está dando o exemplo para o seu filho. Ou seja, a EJA contribui muito para a educação em geral."
O professor menciona ainda que um dos pontos abordados pela campanha é a necessidade de diferenciar o ensino supletivo que, segundo ele, privilegia a certificação de conclusão do Ensino Médio em detrimento da formação completa do aluno, que é possibilitada pelo processo de escolarização da EJA.
Com experiência em trabalhar com jovens, adultos e idosos, Ayres analisa que muitos alunos chegam à sala de aula da EJA com baixa autoestima, afirmando que não conseguirão aprender por já estarem parados há anos. Segundo ele, à medida que os estudantes vão se apropriando do conhecimento, se dão conta que são capazes de aprender muito mais, avançar e concretizar sonhos, antes tão distantes. "É extremamente gratificante lecionar para este público, porque quando ele retorna para a sala de aula é porque quer, de fato, aprender; tem sede do conhecimento", observa. "Já com o adolescente, o desafio para mantê-lo interessado em uma aula teórica diante de tanta tecnologia e em um momento de tanta curiosidade é bem mais difícil."

Sede de conhecimento
O instrumentista aposentado José Marques de Oliveira conta que foi a sede pelo conhecimento, a vontade de fazer amigos e de manter a cabeça ocupada com algo que lhe desse prazer que o levou a voltar a estudar aos 76 anos. Foi quando mudou-se para Londrina a convite da filha, que é professora universitária. "Eu sempre gostei muito de aprender e não estava satisfeito em ficar parado", conta Oliveira, que teve de abandonar os estudos quando tinha apenas 10 anos para trabalhar com o pai no sítio da família.
Apesar das dificuldades iniciais para acompanhar a turma, Oliveira não desistiu do sonho de se formar no Ensino Médio e revela que o apoio da filha e dos colegas de turma foi fundamental. "Hoje, eu vejo que vale a pena voltar a estudar, mesmo após muito anos. Não me arrependo e acho até que vou sentir saudade de turma", acrescenta.
Além de finalizar o Ensino Médio, o aposentado planeja começar a se preparar para o vestibular neste ano. A opção pelo curso de História, segundo ele, veio do interesse de entender sobre as transformações da humanidade. "Estou bastante empolgado com essa nova etapa", disse.

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