O comerciante Renato Barbosa, de 82 anos, vai trabalhar diariamente de carro e não pretende mudar sua rotina tão cedo. ''Quero dirigir até morrer'', diz. Ele integra um grupo de 36.307 motoristas de Londrina e 547.191 no Paraná com mais de 55 anos, segundo dados do Departamento de Trânsito (Detran/PR). E para quem acha que eles estão muito velhos para dirigir, as estatísticas do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) mostram que eles se envolvem muito menos em acidentes do que os motoristas mais jovens.
Segundo o Código Brasileiro de Trânsito (CBT), não existe idade máxima para dirigir. O que determina se o motorista está ou não em condições de conduzir um veículo é o exame de sanidade física e mental, que após os 65 anos deve ser feito no máximo de três em três anos, e não mais a cada cinco anos. Quando a pessoa já não consegue passar neste exame, ela se torna inapta para conduzir um automóvel, e sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) não é renovada.
Para que o idoso continue dirigindo em segurança, porém, além dos exames periódicos, que incluem avaliações oftalmológicas, algumas medidas podem ser adotadas para facilitar a condução do veículo. ''Como os movimentos se tornam mais lentos com a idade, os idosos encontram uma facilidade maior ao dirigir um carro com direção hidráulica. Outra recomendação é guiar por distâncias menores, em lugares que ele já conhece e fora dos horários de pico'', aconselha o oftalmologista Eduardo de Lucca, do Instituto de Moléstias Oculares (IMO), de São Paulo. Ele recomenda ainda que se o problema for o ofuscamento da visão à noite, é melhor guiar o carro apenas durante o dia.
Como não existe uma idade estabelecida para que o idoso deixe de dirigir, os familiares podem ajudá-lo a perceber quando é hora de abandonar o volante. Para o diretor do IMO, Virgilio Centurion, a família deve ficar atenta a sinais de perigo, como, por exemplo, se o condutor bate o carro com frequência, apresenta dificuldades para estacionar e fura o sinal vermelho porque não distingue as cores.
Em 2005, de acordo com dados do Denatran, 21.645 condutores com mais de 60 anos estiveram envolvidos em acidentes de trânsito com vítimas, frente a 213.850 motoristas na faixa etária entre 30 e 59 anos. A prudência que os idosos demonstram ao dirigir é valorizada pelas companhias de seguro. Motoristas da terceira idade podem pagar até a metade do preço do seguro que é cobrado de um jovem, tendo o mesmo carro e rodando na mesma região.
Com 62 anos de experiência ao volante, Renato Barbosa afirma que a maior dificuldade, por enquanto, está relacionada ao ambiente externo, e não a ele mesmo. ''A gente estranha a grande quantidade de carros e o ritmo acelerado que as pessoas vivem. Mas consigo acompanhar normalmente, como se fosse na época em que comecei a dirigir'', garante. Ele admite que às vezes se distrai um pouco no sinal, mas nada que, até o momento, tenha gerado maiores problemas. ''Tenho bons reflexos e estou atento a tudo'', afirma o motorista que aprendeu a dirigir em um modelo Ford importado da Inglaterra.

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