Exército treina em Londrina
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quinta-feira, 30 de agosto de 2007
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Não é fácil se deparar com manifestantes em confronto com o Exército no Brasil. Em Londrina, sequer há registros de uma ação dessas nas últimas décadas. Por isso, um treinamento realizado pelo 30º Batalhão de Infantaria Motorizada de Apucarana (30º BIMtz) vem chamando a atenção de funcionários e quem passa pelo Parque de Exposições Ney Braga, na Zona Oeste da cidade.
Desde segunda-feira, cerca de 150 recrutas estão realizando atividades simuladas de patrulhamento, desobstrução de vias públicas, segurança de autoridades e órgãos públicos, bloqueio e controle de trânsito, atuação em fronteira e outros. Para ajudar nas atividades, soldados do próprio batalhão fazem as vezes de figurantes, simulando manifestações. Além disso, foram levados 15 veículos, entre caminhões, caminhonetes e jipes, além de armamento e sistema de comunicação.
''No Brasil, a garantia da lei e da ordem e a segurança pública são destinação da polícia, mas o Exército também pode atuar, havendo uma ordem presidencial, quando o efetivo policial não é suficiente para atender. Podemos também reforçar a segurança em eleições e cuidar da segurança do presidente ou de outras autoridades'', exemplificou o comandante do 30º BIMtz, Antônio Carlos de Pessoa, justificando a necessidade desse tipo de atividade.
Os jovens participantes estão no primeiro ou segundo ano de treinamento, e, segundo De Pessoa, são poucos os que não estão ali por vontade própria. ''No último ano, cerca de 180 jovens foram recrutados, mas, desses, 82% vieram de maneira voluntária'', comentou, acrescentando que, dos que concluem o período obrigatório, cerca de 30% decidem continuar na corporação por até sete anos (tempo limite para quem é temporário no batalhão). O 30º BIMtz tem três companhias e um total de 500 pessoas.
Até sexta-feira, os recrutas devem passar por atividades diárias das 7 horas até a meia-noite. A carga horária exaustiva, porém, não desanima esses jovens. ''O mais difícil está sendo manter a calma e não me estressar'', comentou o recruta Éder da Silva, depois de enfrentar agressões de vários ''manifestantes''. ''Facilita um pouco porque já temos todo um treinamento, então nos controlamos melhor. Mas se não tivesse, daria muita raiva'', admitiu o jovem, que pretende seguir carreira no Exército.
Já César Henrique de Oliveira disse estar adorando o aprendizado posto em prática, mas reconheceu que a rotina tem sido exaustiva. ''A gente dorme pouco, fica longe da família, da namorada. Mas é bom porque aprende a valorizar o tempo em casa'', avaliou.
O aprendizado desses jovens, segundo o comandante, vai além das técnicas de sobrevivência e combate. ''O jovem aprende a viver em um ambiente disciplinado, com regras definidas e um sistema hierárquico. Com isso, ele aprende a viver coletivamente, a ser companheiro, faz grandes amizades. O amadurecimento é visível. Além de garantir uma força de segurança ao País, o quartel serve como uma escola'', avaliou o comandante, ressaltando que esse amadurecimento pode fazer a diferença mesmo na vida profissional fora da corporação.


