O Paraná possui 22 Tiros de Guerra estruturados em convênio entre o Ministério da Defesa e as prefeituras. O Exército fornece fardamento, armas e munições e os instrutores, enquanto a prefeitura oferece as instalações e a sua manutenção (inclusive a moradia dos instrutores). Diferente do dia-a-dia de um quartel, os atiradores (nome dado a quem presta o Serviço Militar nos Tiro de Guerra) passam por duas horas de instruções de terça-feira a sexta-feira, e quatro horas aos domingos, podendo levar uma vida normal no restante do tempo.
As escalas de serviços são realizadas, em média, em turnos a cada 15 dias e o período de instrução é de apenas nove meses. Em tempos de guerra, a função do atirador é defender os pontos estratégicos em território nacional, como as usinas de energia, estações de tratamento e abastecimento de água, gás e telecomunicações. A maior diferença, porém, está nas armas utilizadas. Nos TGs são usados o fuzil mosquefal 7,62, fabricado em 1967 com capacidade para cinco tiros e nos quartéis são utilizados fuzis automáticos leves (FAL).
Em Londrina, o Tiro de Guerra 05-003 forma anualmente 200 atiradores, que desempenham funções junto à comunidade, segundo o comandante, sargento Antônio Carlos dos Reis Pereira, 40 anos, há cinco trabalhando com atiradores. ‘‘Abrimos as portas para as pessoas conhecerem o nosso trabalho, além de atuarmos em campanhas e ajuda comunitária’’, ressaltou.
Hoje, Dia do Soldado, por exemplo, crianças de creches e pré-primário participam de atividades com os atiradores. A intenção é formar líderes comunitários que conheçam a realidade do município e participe do seu dia-a-dia. ‘‘Cerca de 70% são universitários e 80% trabalha. Com as atividades comunitárias, eles aprendem mais sobre a vida’’, afirmou Reis.
Os atiradores participam de atividades teóricas e práticas, ministradas pelos cinco sargentos. Além de teoria de procedimentos militares, há aulas de patriotismo, primeiros socorros e relacionamento comunitário. Na prática, trabalham com manuseio com armamento, ordem unida, educação física e contato com o público.
O monitor (equivalente a cabo, no quartel) Jader Francisco Galdiano, 19 anos, que trabalha como auxiliar de escritório, disse que a mãe dele foi contra ele servir. ‘‘Houve uma resistência muito grande da minha mãe, pois trabalho com ela. Hoje ela está aceitando melhor, vendo que o serviço militar não interfere no meu trabalho’’. Entre os atiradores da turma atual, há aqueles que não queriam servir e que hoje pensam em seguir a carreira militar, como o monitor Jaime Soares Costa, 19 anos, que já prestou concurso para a Escola de Formação de Sargentos.

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