Exército poderá ser acionado
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quarta-feira, 14 de maio de 1997
Lorena Aubrif Klenk Sucursal de Curitiba 
A Procuradoria da República no Paraná pediu ontem à juíza Cristina Rocha, da 1ª Vara da Justiça Federal em Curitiba, que determine a intervenção do Exército para retirar do Parque Nacional do Iguaçu os manifestantes que reivindicam a reabertura da Estrada do Colono. Até o início da noite, a juíza não havia tomado decisão a respeito.
O procurador Sérgio Cruz Arenhart decidiu pedir a intervenção do Exército depois de se reunir terça-feira à tarde, em Foz do Iguaçu, com representates do Ibama e das polícias Federal, Militar e Rodoviária Federal. Todos afirmaram não ter condições de realizar a desocupação, determinada pela juíza na sexta-feira.
Tanto a Polícia Federal quanto a Rodoviária alegam falta de pessoal, equipamentos e treinamento adequados. No caso da PM, o procurador afirma que o cumprimento da ordem judicial esbarra em questões políticas. A corporação depende de autorização expressa do governador do Estado para tomar qualquer atitude.
Considerando que a crise tem cunho nitidamente político, contando com apoio de políticos de expressão, é improvável que esta autorização seja dada a tempo de coibir maiores lesões ao meio ambiente, diz o procurador na petição encaminhada à Justiça.
Além da PM, diz Arenhart, apenas o Exército dispõe de tropa de choque treinada para situações envolvendo grande número de pessoas. O procurador argumenta também que parcela da área de conflito está a menos de 500 metros da fronteira com a Argentina, sendo área de segurança nacional, cuja defesa compete principalmente às Forças Armadas.
A ocupação completa hoje uma semana. Segundo a Associação de Integração Comunitária Pró-Estrada do Colono (Aipopec), entidade que encabeça o movimento, cerca de 500 pessoas permaneciam acampadas ontem nas duas extremidades da estrada, nos municípios de Serranópolis do Iguaçu (Oeste) e Capanema (Sudoeste).
Os manifestantes prometem manter a ocupação até que a Justiça Federal de Porto Alegre analise recurso da Aipopec que pede a derrubada da liminar que determinou o fechamento da estrada, em 1986. A estrada, que ligava as duas regiões, tem 17,3 km cortando o parque, considerado pela Organização das Nações Unidas (ONU) Patrimônio Natural da Humanidade e de preservação permanente. Com o fechamento, o percurso entre as duas regiões aumentou em 120 quilômetros. (Colaborou Valmir Denardin, de Foz do Iguaçu)


