Exército fará obra parada há 7 meses
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quinta-feira, 02 de julho de 1998
Valmir Denardin 
O Exército está reiniciando as obras do Canal da Barragem, em Foz do Iguaçu, que estavam paradas havia sete meses. Iniciada pelo governo do Estado em abril do ano passado, a construção deveria ficar pronta em setembro, para sediar provas dos Jogos Mundias da Natureza, mas foi abandonada em dezembro, quando o governo rescindiu o contrato com a empreiteira Itajuí, de Curitiba.
O diretor de Obras da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), Eduardo Quizada, disse que a construção foi paralisada porque os projetos originais, feitos por uma empresa de consultoria espanhola, não atendiam às exigências técnicas da Itaipu Binacional, que cedeu o terreno para a construção do canal.
A consultoria não tinha dado muita importância para isso, declarou Quizada em entrevista à Folha, por telefone. Depois da paralisação, de acordo com o diretor, os projetos foram refeitos, com o acompanhamento e a assessoria da binacional. A Folha apurou que o governo decidiu iniciar as obras às pressas - mesmo sem o aval de Itaipu -, tentando concluí-la para os Jogos da Natureza.
Segundo Quizada, o governo estadual não perderá dinheiro com a paralisação da obra. De acordo com ele, o orçamento inicial era de R$ 18 milhões, mas o canal artificial custará apenas R$ 16 milhões. Desse total, R$ 8 milhões foram pagos à empreiteira e quantia idêntica será repassada ao Exército. Como o Exército não visa lucro, ele tem um custo menor que o das empresas particulares, afirmou Quizada.
O Canal da Barragem deverá ser o maior canal artificial do mundo e ligará o Lago de Itaipu ao Rio Paraná, já no trecho abaixo da barragem da hidrelétrica. Terá seis quilômetros de extensão, dez metros de largura e profundidade mínima de um metro.
O maior canal do gênero já construído fica nos Estados Unidos, tem 2,7 quilômetros de extensão e 60 metros de desnível. O canal de Foz terá dois objetivos: favorecer a piracema (migração dos peixes para as nascentes dos rios acima da hidrelétrica nos períodos de reprodução das espécies) e ser utilizado em competições esportivas.
A obra será concluída pelo 1º Batalhão Ferroviário, sediado em Lajes (SC), a mesma companhia que construiu o trecho da Ferroeste entre Guarapuava e Cascavel. Máquinas, equipamentos e cerca de 50 homens do batalhão chegaram a Foz do Iguaçu no início da semana. Empreiteiras de mão-de-obra da região também estão sendo contratadas.
O contrato entre o governo estadual e o Exército foi assinado em abril. A previsão de entrega da obra é o final do ano. De acordo com o diretor da Sema, já há empresas internacionais interessadas em implantar um parque temático no local.
A reportagem da Folha percorreu anteontem todo o trecho da obra que está sendo retomada. Em muitos trechos, a erosão abriu crateras nas margens e no leito do canal, principalmente onde não houve tempo para a colocação de pedras ou o plantio de grama. Três máquinas e menos de dez homens já trabalhavam no local.
Integrante do Projeto Costa Oeste, que tem o objetivo de desenvolver o turismo ao longo da margem paranaense do Lago de Itaipu, o Canal da Barragem deveria sediar provas de canoagem de slalom e rafting dos Jogos Mundiais da Natureza, que foram realizados entre 27 de setembro e 5 de outubro do ano passado. Como a obra não ficou pronta, essas modalidades - que exigem corredeiras - foram transferidas para o Rio Iguaçu, no trecho abaixo das Cataratas.


