Exército corta despesas e dispensa recrutas
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quarta-feira, 31 de julho de 2002
Gilmar Agassi<br> Equipe da Folha 
Cascavel - O Comando do Exército no Paraná dispensou ontem 3,7 mil recrutas. Em todo o País, cerca de 44 mil soldados, 80% dos que entraram este ano, foram dispensados após quatro meses de serviços prestados, quando o normal seria a dispensa com 9 a 12 meses. Cada recruta recebia um salário mínimo mensal.
A dispensa atende a uma determinação do Ministério da Defesa, que vem ordenando cortes de gastos e despesas nas unidades de todo o País. Caso a limitação orçamentária continue, o Comando do Exército estuda medidas ainda mais severas, como a desativação de unidades. Além de dispensar 44 mil recrutas, o Exército adiou por dois meses a incorporação de outros 18 mil soldados ao serviço militar obrigatório.
O comando da 15 Brigada de Infantaria Motorizada (BIM) também realizou ontem a dispensa antecipada de 531 soldados lotados nas unidades do Exército em Cascavel. De acordo com o general de Brigada, José de Oliveira Sousa, comandante da 15 BIM, paralelamente ao licenciamento desse contingente, outras medidas estão sendo adotadas visando a redução de despesas e gastos, com objetivo de atender as determinações do Ministério da Defesa.
Entre as medidas, estão alteração dos expedientes; restrição na programação relativa à Semana do Soldado, inclusive com a suspensão do projeto Soldado por Um Dia e da exposição de material; desfile militar de 7 de setembro com efetivo reduzido e sem a participação do grupamento motorizado; e restrição do acesso a área militar, incluindo o bloqueio de algumas ruas, na guarnição de Cascavel.
Para o general, esta é uma situação momentânea que deverá voltar à normalidade no começo do próximo ano. Ele, inclusive, acredita que a próxima incorporação de soldados, prevista para fevereiro ou março de 2003, não deverá ser afetada. ''Acreditamos que esta seja uma situação temporária'', finalizou o comandante da Brigada.
Em nota oficial, o Exército classifica as medidas restritivas como ''soluções drásticas que comprometem a disponibilidade futura e a operacionalidade da força terrestre. As medidas poderão acarretar, caso persistam no tempo, reflexos negativos no profissionalismo e na auto-estima de seus integrantes'', diz o texto.


