Exército começa a apurar propina na junta militar
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segunda-feira, 30 de abril de 2001
Lúcio Flávio MouraDe Londrina 
O servidor municipal Gilberto Cardoso, 46 anos, afastado da junta de alistamento militar de Londrina, ainda não foi localizado pela Secretaria Municipal de Governo (onde era lotado) e pela 15ª Circunscrição do Serviço Militar (CSM). Ele não compareceu em nenhum dos dois órgãos desde quinta-feira, quando uma reportagem da TV Coroados (retransmissora da Rede Globo) exibiu imagens gravadas por uma minicâmera flagrando o momento em que recebia propina de R$ 200,00 de um jovem que pleiteava a dispensa do serviço militar obrigatório.
Os três processos administrativos que vão investigar o episódio poderão contar com fitas cedidas pela emissora de TV. O inquérito militar já foi instaurado. Uma equipe da CSM (cuja sede fica em Curitiba) esteve na cidade e começou a verificar documentos na repartição. Os trabalhos incluem uma checagem abrangente dos motivos das dispensas dos alistados nos últimos anos. O objetivo é descobrir se havia mais alguém beneficiado no esquema de suborno. O CSM aguarda a apresentação voluntária de Cardoso. Ele deverá ser ouvido na fase final do inquérito. Se ficar caracterizado o recebimento de dinheiro, o inquérito será enviado à Justiça Federal.
Amanhã, a Secretaria de Governo deve instaurar um processo interno. Desde sexta-feira, quando Cardoso foi devolvido ao órgão, ele não apareceu para trabalhar. Cardoso tem cerca de duas mil horas extras para serem compensadas e férias vencidas. Segundo uma fonte da secretaria, ele não será autorizado a gozar destes benefícios enquanto não for ouvido. Três servidores municipais serão escolhidos para compor a comissão que ficará responsável pelo processo.
A situação do atendente da junta militar, Mauro Braguini, que aparece no vídeo encaminhando o rapaz até uma sala reservada onde Cardoso recebeu a propina, também deverá ser investigada por processo interno na Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), onde era lotado. Braguini deve entrar em férias e compensar horas extras acumuladas a partir de quarta-feira. Ele trabalha em regime de CLT na Codel e poderá ser demitido por justa causa se for comprovado que tinha envolvimento no esquema.
O presidente da Codel, Octávio Pereira Neto, afirmou que Braguini foi considerado imprescindível e competente pelo CSM, após ser solicitado seu retorno à companhia, no começo do ano.
Ontem, a reportagem da Folha tentou ouvir Gilberto Cardoso. Na portaria do conjunto residencial onde mora, a informação obtida foi que ele, a mulher e as duas filhas não foram vistos nos últimos três dias. Sua caixa de correspondência estava lotada e o interfone não atendia no apartamento.


