Exercitando a memória
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quarta-feira, 20 de julho de 2016
Rafael Souza<br>Reportagem Local 


Quem nunca se esqueceu de transmitir um recado a alguém ou de tomar o remédio na hora certa, não é mesmo? Fatos isolados nestes casos são normais a qualquer pessoa, mas quando eles começam a se tornar recorrentes, é importante ficar atento. A aposentada Vilda de Oliveira Vieira, de 81 anos, por exemplo, não quis saber de dar chance para o azar e logo nos primeiros episódios já procurou - e encontrou - uma atividade que tem sido muito importante ao seu dia a dia: a Oficina de Memória da Unimed Londrina.
"Comecei a notar que estava esquecendo muito. Então, antes que viesse algo mais grave, senti que era hora de procurar uma atividade para trabalhar a memória. E tem sido muito importante, tem ativado coisas que já nem esperava que poderia ativar, como a minha memória fotográfica, com a qual eu vinha tendo bastante dificuldades", contou a aposentada.
A dona Vilda integra a 14ª turma da oficina, que dura dois meses e é composta por oito encontros, nos quais são realizadas diversas práticas que visam principalmente a estimulação da memória. Atividades como leitura, pintura, tarefas manuais, além de brincadeiras, são usadas nas reuniões como forma de reativar estímulos que muitos participantes haviam perdido. "Também entra como papel de prevenção", salientou a assistente social Viviane Cristina Pereira de Souza, que coordena as atividades da oficina desde o início.
Ela conta que os idosos são a maioria nos grupos, mas não é necessariamente uma regra. Viviane reforça que o espaço é indicado às pessoas que sentem a necessidade de exercitar o cérebro, independente da idade. "A gente sabe que a partir dos 60 anos é normal apresentar uma queda (na memória), porém pode acontecer muito mais cedo e diversos fatores podem influenciar, como a saúde, alguma situação da vida, a genética", afirma a coordenadora. "Sou mãe de dois adolescentes e percebo que a questão da atenção e concentração pode acontecer em qualquer idade. Então é uma coisa que deve ser estimulada a vida toda, não só para o idoso. Isso só tem a beneficiar o nosso trabalho, o nosso dia a dia", acrescenta.
A memória, a atenção e a concentração foram importantes ao longo dos mais de 40 anos de carreira da professora aposentada Jandira dos Reis Spina, que está com 75 anos. Mas até por um relaxamento natural, desde que se deixou as salas de aula, em 1993, ela deixou o cérebro ficar mais acomodado. "Eu trabalhava o dia todo, chegava em casa às 10 da noite e ainda lia um livro todos os dias, e depois que aposentei parei e passei a ter até preguiça de ler. Tem coisas que perdi que só percebi aqui, então tem sido bastante importante, tem me dado caminhos para restabelecer a memória", definiu.
"Só na família do meu marido foram quatro casos de Mal de Alzheimer e três já morreram. Infelizmente ele também já está com alguns sintomas. Talvez se tivesse feito a prevenção teria sido diferente. Eu mesmo estava muito esquecida e a oficina já me ajudou bastante", valorizou Jandira, que de tão satisfeita já pensa até em levar o grupo para as vizinhas. "Vou até conversar depois para ver a possibilidade de fazer atividades no meu bairro, é muito importante mesmo", reforçou.
CORRIQUEIRO
Até quem não esperava fazer parte do grupo tem aproveitado para se prevenir. É o caso de Elcimar Rodrigues, de 45 anos, a mais nova da turma. Ela começou a participar das atividades para acompanhar a mãe, Elza Xavier, de 69 anos, que começou a apresentar alguns episódios de esquecimento. "Mesmo sendo mais nova, a gente vê que tem alguma dificuldade para atividades simples, e temos que ficar atentos a isso, porque pode representar algo mais grave para o futuro. Estou aproveitando também para exercitar a minha memória", disse Elcimar, que tem visto avanços também para sua mãe. "Tenho notado que ela retomou algumas coisas importantes do dia a dia, e ela é nova ainda, pode fazer bastante coisa sozinha", apontou.
A coordenadora da oficina diz que os relatos dos benefícios são imensos. "Em primeiro lugar, a questão de relacionamento familiar melhora, porque a tendência é que a pessoa que começa a esquecer as coisas se isole por vergonha; (além disso), ajuda a recordar coisas corriqueiras, como tomar o remédio, e até para socialização o grupo tem sido bom para eles. Temos muitos relatos também de pessoas que passaram por aqui que continuam realizando atividades similares para não perderem o que ganharam."
Os primeiros sinais de falhas da memória, como esquecer de tomar um remédio contínuo ou uma panela no fogo, não devem ser deixados de lado. "Um esquecimento mais importante, como esquecer onde está, pode ser sinal de algo mais grave e procurar um médico é fundamental", indicou Viviane.
SERVIÇO: Interessados em participar das oficinas podem entrar em contato com a Unimed pelo fone (43) 3375-6016.


