Exercícios reproduzem situação
idêntica à uma guerra de verdade
O tenente-coronel Flávio dos Santos Chaves, do primeiro esquadrão do 14º grupo de aviação da Aeronáutica (ou Esquadrão Pampa), com sede na base aérea de Canoas (RS), explica que exercícios feitos esta semana em Londrina possibilitam ao piloto de caça, por exemplo, enfrentar situações idênticas àquelas que enfrentaria em uma guerra de verdade.
Para realizar o exercício, são criados dois países imaginários, com um atacando e o outro se defendendo. O enredo da história é simples: o ‘‘País Vermelho’’, que tem bases em Santa Cruz (RJ), Araçatuba e Campinas (SP), tenta invadir o espaço aéreo do ‘‘País Azul’’ e destruir bases inimigas. O País Azul tem bases de defesa aérea em Londrina e Campo Grande (MS), comandadas pela Aeronáutica, além de artilharia anti-aérea também em Londrina, Campo Grande, Catanduvas (PR) e Ourinhos (SP), sob comando do Exército. Uma fragata da Marinha também está de prontidão no Porto de Paranaguá, litoral paranaense, com possibilidade de auto-defesa de ataque vermelho.
O tenente-coronel afirma que os ataques virtuais não são combinados com antecedência entre os dois países imaginários. A única coisa que se sabe é que eles ocorrerão entre às 7 e 18 horas e que serão, no mínimo, cinco por dia. O País Vermelho tem que avaliar a melhor hora de agir e, para o País Azul, sobra a opção de se defender o máximo possível. No final do trabalho, é feita uma avaliação de qual foi o desempenho das duas equipes e quem venceu a ‘‘guerra’’.
No caso da defesa aérea, os dez caças que estão em Londrina tentam interceptar naves inimigas e abatê-las, virtualmente, quando elas invadem o espaço aéreo local. Caso não consigam fazer isso em até vinte quilômetros do alvo a ser defendido, a missão fica com a defesa anti-aérea. Ou, como se diz no jargão militar, a nave ‘‘desengancha’’ do inimigo para não receber fogo amigo.
As informações sobre a aproximação de caças inimigos são passadas pelo Centro de Operações Militares (COpM), diretamente de Curitiba. O major de Artilharia Geraldo Tadeu de Castro Losada, há 21 anos no Exército e baseado em Osasco (SP), é o responsável neste exercício pela defesa anti-aérea em Londrina, onde comanda 86 homens.
Major Losada explica que a defesa, em cada uma das quatro cidades onde está instalada, é composta basicamente por um radar de busca, outro de tiro e três computadores, mais um apontador ótico auxiliar. Estes instrumentos comandam - também virtualmente - dois canhões anti-aéreos que estariam prontos para responder qualquer ataque aéreo. Os canhões, por problemas de custo de transporte, não puderam vir a Londrina.

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