A importância da atividade física como prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares motivou cerca de 180 pessoas, de todas as faixas etárias, a participarem da terceira ''Caminhada do Coração'', realizada ontem de manhã no lago Igapó II, em Londrina. Em quarenta minutos, elas percorreram 4,5 quilômetros guiadas por um carro de som, atletas e educadores físicos. A atividade corre tradicionalmente em setembro, quando é comemorado o Dia Mundial do Coração. Mas, devido ao mau tempo, foi prorrogada.
Segundo o cardiologista Icanor Ribeiro, todo indivíduo deveria exercitar o corpo pelo menos três vezes por semana, no mínimo 30 minutos, com intensidade leve a moderada e de forma contínua. ''Em oito a 12 semanas ele perceberá os primeiros resultados - mais disposição, redução da ansiedade, do estresse e fadiga - e fará da atividade um hábito'', garantiu o médico, que também é coordenador do Programa de Promoção da Saúde pela Saúde Física.
Uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Cardiologia constatou que 70% da população é sedentária, 10% pratica atividades físicas ocasionalmente e 20% com regularidade. O sedentarismo é um dos fatores de risco também para o diabetes, a hipertensão, a obesidade e outras doenças que ameaçam também a juventude.
Aos 60 anos, o advogado Hamilton Laertes Araújo mudou radicalmente de vida após um infarto, em julho deste ano. Alegando falta de tempo, ele não praticava atividade física, estressava com o trabalho e descuidava da alimentação. Após um cateterismo de urgência (diagnóstico que identificou a possível obstrução de artérias coronarianas) Araújo foi submetido a uma angioplastia (método que dissipa a gordura das artérias com o auxílio de um balão) e ao implante de um stent (dispositivo metálico de mantém a artéria aberta) na artéria mais comprometida. ''A falta do oxigênio, carregado pelo sangue, necrosa o músculo cardíaco a partir dos primeiros 15 minutos do infarto'', explicou Ribeiro.
Depois do susto, Araújo e a família mudaram a dieta alimentar e habituaram-se a caminhar diariamente. ''Hoje sou sensível, valorizo mais a vida, faço questão do aperto de mão, o abraço e a companhia de pessoas queridas'', afirma o advogado, que ontem participou da Caminhada do Coração. Outra integrante do grupo foi Terezinha Nolasco, 72 anos, que aderiu ao passeio graças ao convite de uma amiga. Ao contrário das recomendações médicas, ela não pratica exercícios físicos porque não gosta e sente-se bem. ''Faço exames de rotina e minha saúde está ótima'', orgulha-se a advogada aposentada.
Para evitar o sofrimento com doenças e a morte prematura, Ribeiro sugere a prevenção com alimentação saudável (evitar gorduras saturadas, frituras, refrigerantes e investir nas verduras, frutas e legumes), avaliação médica quando existe risco genético e a prática de atividade física.

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