Mário CésarApoio essencialJosé Antônio Leite, que ficou paraplégico após um assalto: ‘Com a fisioterapia, minha vida mudou muito’Até sete meses atrás, o ex-vigilante José Antônio de Souza Leite tinha poucas esperanças para o futuro. Ele foi baleado durante um assalto ao Banco do Brasil da avenida Higienópolis, em Londrina, dia 8 de julho do ano passado.
A bala, calibre 45, atingiu as sétima e oitava vértebras da coluna cervical de José Antônio, deixando-o paraplégico. Após o acidente e quatro meses de internação, o ex-vigilante dependia de uma ou duas pessoas para fazer qualquer coisa. Sua realidade só começou a mudar depois que iniciou as sessões de fisioterapia, num tratamento oferecido gratuitamente pela clínica de Nelson Shirabe.
‘‘Antes eu vivia triste, dentro de casa e sem saber o que seria de mim no futuro. Hoje já faço quase tudo sozinho. Passo da cama para a cadeira e vice-versa sem ninguém para me ajudar. Enquanto não fazia fisioterapia, precisava de duas pessoas para me carregarem. Hoje tomo banho sozinho e dirijo meu carro, que é adaptado. Enfim, tenho minha independência’’, comenta José Antônio.
Além de duas sessões de hidroterapia por semana, sob o comando de Nelson Shirabe, José Antônio frequenta sessões de fisioterapia no Hospital Universitário também duas vezes por semana, onde faz acompanhamento, exercícios e joga handebol. ‘‘Minha vida mudou muito.’’ Tanto que José Antônio está planejando fazer um curso de computação para retomar sua vida profissional. ‘‘Quando a gente se sente melhor fisicamente, tem vontade de fazer outras coisas, de melhorar mais.’’
Milton DóriaEm busca da autonomiaSilvio de Souza, que ficou tetraplégico após um acidente no Igapó: ‘Agora o corpo começou a se soltar’
Silvio Gouveia de Souza, 25 anos, é tetraplégico - possui movimentos apenas no pescoço, braços e pulsos. Ele sofreu uma lesão na medula em 1991, ao se acidentar no lago Igapó. Apesar das limitações (anda em cadeiras de rodas e precisa da ajuda de outros pessoas para fazer várias tarefas), ele afirma que hoje possui uma certa independência graças às sessões de fisioterapia que realiza três vezes por semana no Hospital Universitário (HU).
Silvio de Souza conta que o acidente aconteceu quando mergulhou no lago. ‘‘Pulei de mal jeito e assim que tive contato com a água já não senti mais os meus braços’’, lembra. Ele afirma que ficou alguns minutos submerso até ser socorrido pelos amigos. Depois de permanecer internado três meses no Hospital Evangélico, ele foi transferido para o HU, onde começou a fazer fisioterapia, em 1992. Antes disso ele foi submetido a uma cirurgia para colocação de uma haste de platina no pescoço.
‘‘Cheguei no HU deitado, não conseguia sentar ou fazer outro movimento’’, relata. Silvio de Souza diz que começou a sentir os efeitos da fisioterapia logo no início. ‘‘O corpo começou a se soltar’’, afirma. Ele explica que antes dependia da mãe para as mínimas coisas, como escovar os dentes e comer.
Nas sessões de fisioterapia, Silvio de Souza aprendeu a usar as mãos para essas atividades, mesmo elas estejam paralisadas. Atualmente, ele usa nas mãos pequenas talas feitas com canos de PVC, onde são colocadas a escova de dentes, a colher e outros objetos. ‘‘No começo foi complicado, pensei em desistir, mas o pessoal aqui me incentivou.’’ Ele acredita que a tendência é melhorar ainda mais.

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