Os estudos feitos pela antropóloga Kimiye Tommasino têm vários exemplos deixados por empreendimentos de grande impacto em aldeias indígenas brasileiras, que apontam um futuro negro para os Kaingang de Mococa. A experiência mais próxima citada por ela é a dos índios guaranis de São Miguel do Iguaçu (43 km a nordeste de Foz do Iguaçu). Atingidos pela barragem da Usina de Itaipu, de acordo com a pesquisadora, hoje eles catam comida no lixão.
No Mato Grosso do Sul, os índios Ofaiê, expropriados em razão da hidrelétrica de Porto Primavera, ficaram com uma terra seca e infértil. ''Em Santa Catarina, os Xokleng receberam indenização pela barragem de contenção da cheia do Rio Itajaí. Como não têm esse senso capitalista de poupar, gastaram todo o dinheiro e ficaram na miséria'', cita.
Os índios de Mococa parecem não se iludir com a possibilidade de que a usina lhes traga dividendos. Em reunião realizada com lideranças na aldeia, a posição declarada pelos Kaingang foi contrária à UHE Mauá. ''A barragem vai afetar diretamente os paris, a pesca, os remédios medicinais. Eles (a empresa responsável pelo projeto) dizem que não. Nós estamos à disposição para debater, mas eles não nos procuram'', desabafa o cacique Florides Nato, 31.
O vice-cacique da aldeia, Reginaldo Sales Batarse, 35, reclama que os índios não estão tendo voz nas audiências públicas realizadas para discutir a construção da usina. Ele também diz não entender o posicionamento do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), que no ano passado concedeu licença para o empreendimento. ''Os órgãos ambientais são contra o pessoal derrubar uma árvore. Por que eles podem autorizar a inundação da floresta?'', questiona.
O monitor bilíngue Luis Amaral, 43 anos, conclamou os Kaingang a lutar em defesa dos rios. ''Hoje quem conserva as matas são as reservas indígenas. Além disso, o peixe é o alimento legítimo do índio.'' (V.N.)

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