Ontem de manhã, logo cedo, uma caravana saiu de Londrina em direção a Lunardelli (95 km ao Sul de Apucarana). Amigos e familiares de Antônio Paulo de Oliveira se reuniram no cemitério da cidade, onde o corpo dele está enterrado, para uma homenagem especial no primeiro Dia de Finados longe do homem que foi, até na hora da morte, um exemplo de vida.
''A morte não é o fim, e sim o recomeço''. Essas foram apenas algumas das palavras otimistas que o falecido Oliveira ou ''Paulo Gabriel'', como era chamado pelos mais íntimos, deixou à sua família. O homem de 42 anos, que chefiava o gabinete da prefeitura de Lunardelli, emocionou amigos e familiares ao pedir que suas irmãs escrevessem mensagens de agradecimento e despedida a todos. Não satisfeito, Oliveira escolheu as pessoas para carregarem seu caixão durante o sepultamento, as passagens da Bíblia que foram lidas durante a missa de corpo presente e pediu que os restos mortais dos seus pais fossem colocados com ele no túmulo.
Emocionada ao lembrar da alegria que o irmão sempre transmitiu a todos, Rita de Cássia Tomas de Oliveira, 38 anos, conta que ele ''viveu para servir'' e que a morte de Oliveira não entristeceu a família, pelo contrário, ''serviu de exemplo''. ''Quando saímos da igreja, fomos ao cemitério e enterramos aquela pessoa querida e voltamos felizes, conversando sobre ele e dando risada. Eu até perguntei para minha irmã se era pecado estar me sentindo assim, porque não tinha vontade de chorar. Ela me disse que não, que as palavras dele sararam toda a dor que estávamos sentindo'', lembra a irmã, que mora em Londrina.
No final de agosto deste ano, Oliveira descobriu que tinha um tipo de câncer em estágio bastante avançado. Ele resolveu, então, partir para a cidade de Cordeirópolis, interior de São Paulo, passar seus últimos momentos ao lado da irmã, a quem considerava sua segunda mãe. Cerca de vinte dias depois, faleceu, em 16 de setembro, deixando a mulher e um casal de filhos. ''Antes de morrer, pediu para a sua esposa e para minha irmã comprarem um caderno e escreverem tudo o que ele pedisse. Ele estava fraco, mas com a cabeça muito boa. As mensagens foram lidas e entregues para todos que acompanharam seu funeral. A cidade inteira gostava muito dele. Até nós, familiares, tivemos dificuldade de nos despedir dele devido à grande quantidade de pessoas presentes'', comenta Rita.
A missa aconteceu na Paróquia Santa Rita de Cássia em Lunardelli, onde Oliveira se casou e foi ministro de eucaristia por muitos anos. Na mensagem, ele agradece quase todas as pessoas que passaram pela sua vida, inclusive a primeira professora, os idosos que o acompanhavam nos jogos de truco e até o funcionário de um escritório que deu o primeiro emprego à sua filha.
Além de citar quase todos os nomes de estabelecimentos comerciais da cidade, Oliveira pediu ''perdão'' àqueles cujos nomes esqueceu. ''Ele era um homem especial, comum como todos nós, mas de uma luz muito grande que iluminava as pessoas. Ele morreu da forma que viveu, muito bem. Como podemos ficar tristes com alguém que está na luz de Deus?'', diz a irmã.
Hoje, a família conta com orgulho a história de Oliveira. Por problemas de saúde, Rita não pôde participar da caravana que foi até Lupionópolis, mas não deixou de cumprir o compromisso católico, acendendo uma vela no cruzeiro de um cemitério de Londrina em homenagem ao irmão. ''Vou acender uma vela na cruz que representa a luz da esperança, para não sentirmos tristeza, mas alegria e saudade dos que amamos. A morte dele nos serviu de exemplo. Porque o meu dia de morrer é exclusivamente meu e cabe a mim ter sido uma pessoa correta, assim como Jesus nos pede que sejamos''.

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