Executivos fazem imersão em inglês
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sexta-feira, 16 de abril de 1999
Anna Camanducaia 
Um grupo de 16 curitibanos - a maioria executivos - vai adotar o inglês como língua oficial até amanhã. Desde ontem, os profissionais estão participando de um programa intensivo de inglês para saber como lidar com situações cotidianas e de trabalho. Para colocar os alunos frente às situações de um país estrangeiro, a escola For Pros - Idiomas para Profissionais transferiu parte de sua equipe para a Estância Betânia, em Colombo, Região Metropolitana de Curitiba, a fim de criar um mundo à parte, onde o português é proibido.
Eles precisam saber usar a língua em qualquer situação, principalmente dentro do contexto do trabalho, e isso é possível com a imersão, afirma a coordenadora do Departamento de Inglês, Cláudia Gonçalves. Uma ou duas horas de aula, no curso normal, não obrigam o estudante a pensar em inglês.
Para aprofundar o conhecimento, mas de uma forma espontânea, os alunos não participam apenas de aulas. Fazem caminhada, brincadeiras, atividades físicas e de relaxamento. Hoje à noite, por exemplo, a diversão será o karaokê.
Depois do curso, que tem ao total 18 horas, os alunos terão um complemento para alcançar as 72 horas de um módulo normal. Os participantes receberão material com exercícios para estudar em casa e duas vezes por semana poderão estar com os professores durante uma hora para tirar dúvidas e praticar o inglês.
Ter que abrir mão da língua-mãe de uma hora para outra é um desafio. Quando se troca o português pelo inglês, a maior dificuldade é a pronúncia. O jeito, então, é praticar. É isso que os 16 alunos não param de fazer desde as 10 horas de ontem. Ninguém escapou, nem na hora da entrevista.
O engenheiro Gerson Rodrigues Alves, 49 anos, nem conseguiu dormir direito na noite de quinta-feira de tão ansioso que estava para começar o curso. Alves trabalha na TIM - Telepar Celular e precisa do inglês no dia-a-dia - por isso está investindo no aprendizado. Estudo inglês há 30 anos, mas até hoje não vou bem na pronúncia, afirma. Domingo (amanhã), vou estar com o inglês melhor, mas ainda vou precisar de outras imersões.
O engenheiro mecânico Augusto César Tosin, 40 anos, fala e recebe estrangeiros diariamente em seu trabalho, na Inepar. Para ele, ainda é preciso melhorar o nível de entendimento e a pronúncia. Uma vantagem que ele tem é conseguir pensar em inglês, e não montar as frases em português e depois passá-las para o inglês, como grande parte das pessoas.
A administradora Rosely Deschermayer, 41 anos, decidiu passar o final de semana longe da família para aprimorar o inglês informal. Rosely trabalha com importação e exportação e diz que, no inglês comercial, consegue se virar bem. O problema é quando tem que fugir do roteiro. Enfrentar situações do dia-a-dia, que surgem de repente, é uma dificuldade para ela.


