Menos de três dias depois do último crime, o jardim Nossa Senhora Paz (zona oeste de Londrina) foi palco de novo homicídio. No início da noite de anteontem, o adolescente Everton Luiz Marcondes, 14 anos, foi alvejado por vários tiros de pistola a poucos metros da rua onde morava. O rapaz tentou correr dos assassinos que, segundo testemunhas, o cercaram no muro da indústria de fiação de seda Bratac, mas morreu no local. Os assassinos fugiram em seguida pelo pátio da empresa. Revoltados, os moradores derrubaram o muro da empresa. No dia 31 de julho, Leandro Oliveira Bitencourt, conhecido como 'Japonês', foi executado, no mesmo bairro, com oito tiros.
A tropa de choque da Polícia Militar (PM) teve ser chamada para conter os moradores que, ainda assim, conseguiram derrubar cerca de 70 metros de muro. A principal suspeita da polícia é que o crime tenha sido motivado pela guerra de gangues rivais. Os atiradores três suspeitos já foram identificados seriam membros de uma facção criminosa da rua Pantanal, separada do Nossa Senhora da Paz pela Bratac.
Outros indícios sugerem que a briga de gangues está se acirrando. Segundo os moradores, os tiroteios têm sido frequentes apesar da presença constante da Rone (equipe especial da PM) no bairro. Eles também reclamam que toda a vizinhança virou alvo dos tiros, antes restritos aos inimigos.
''Meu filho não era bandido'', afirmou a mãe do garoto executado domingo, a empregada doméstica Jacira Ivanildes de Oliveira. Segundo ela, o filho raramente saía de casa. ''Nem na padaria do Jardim do Sol (bairro vizinho) ele ia, quando precisava de alguma coisa pedia para eu ir buscar'', acrescentou. Ela disse acreditar que o filho tenha sido alvejado por causa de um boné e uma roupa vermelha. Os trajes seriam a marca da gangue local.
A audácia dos atiradores revoltou os moradores. Vários projéteis atingiram o muro da escola Marista Nossa Senhora da Paz, e alguns atravessaram as janelas. ''Se não fosse domingo, poderia ter atingido alguma criança'', disse o pedreiro José Alves. A instituição, mantida pelos Irmãos Marista, atende 84 crianças e o prédio é também usado à noite em turmas de alfabetização de adultos.
A revolta também é direcionada à Polícia Civil. ''Eles fizeram pouco caso, mal investigaram, também por isso o povo derrubou o muro'', afirma Alves, mostrando nove cápsulas de pistola que foram recolhidas pelos moradores depois do crime e que deveriam ter sido alvo de perícia.
Segundo o delegado do 3º Distrito Policial, Marcelo Sakuma, a população é que atrapalhou as investigações. ''Eles retiraram o corpo do local e não deixaram a polícia trabalhar'', reclamou. O delegado também disse que testemunhas resistem ao depoimento dificultando a prisão dos suspeitos.
O delegado pretende continuar investigando o homicídio pois disse ontem que existem versões diferentes. Ontem à tarde, três menores se apresentaram, ''confessaram'' participação no crime mas divergiram sobre a arma usada. Testemunhas ouvidas por Sakuma apontaram três maiores como os matadores de Everton.

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