Levantamento sobre a violência urbana feito pelo Inbrape Pesquisas com exclusividade para a FOLHA mostra que mais de 92% das pessoas consultadas consideram que Londrina é violenta e 64% acham que este problema aumentou nos últimos 12 meses. A pesquisa ouviu um universo de 302 pessoas. O questionário foi aplicado no dia 19 de janeiro, na Área Central, mas obteve respostas de moradores dos quatro cantos da cidade.
As pessoas entrevistadas opinaram sobre oito questões. A imensa maioria considerou que Londrina é violenta e que o problema está aumentando. E a maior parte (54,3%) já sentiu na pele a sensação de ser vítima ou disse conhecer alguém que sofreu violência. Os homens (60,9%), foram as vítimas mais comuns. Os alvos principais foram aqueles com mais de 45 anos.
Questionados sobre como e onde aconteceram as ações dos criminosos, 40,9% das vítimas disseram ter sido assaltados na rua, 31,7% tiveram suas residências furtadas, roubadas ou arrombadas, 8,5% apontaram que seus veículos ou equipamentos dos carros foram furtados/roubados, 6,7% sofreram agressões físicas de marginais, 6,1% foram assaltados enquanto dirigiam e 2,4% revelaram que sofreram ou conheciam alguém vítima de sequestro-relâmpago.
Os entrevistados demonstraram conhecer de quem é a responsabilidade principal em garantir a segurança da população. Entre as pessoas ouvidas, 51,7% apontaram que o governo do Paraná é o maior responsável, seguido pelo município (37,4%) e união (10,9%). Continuando, 53,3% dos londrinenses ouvidos disseram não acreditar que a autoridade municipal trabalha para reduzir a violência. Nove em cada dez concordaram totalmente que o município precisa pressionar o governo estadual para diminuir o problema.
Por fim, os entrevistados também opinaram sobre as formas mais eficientes para se enfrentar à violência. Para 34,8%, crime se combate aumentando o efetivo policial, pensamento que confere com o fato de que a maioria das pessoas vítimas de violência foi atingida na rua. Outros 25,8%, responderam que criar emprego também diminui a criminalidade. Já 22,2% das pessoas afirmaram que melhorias na educação ajudam a contornar o problema. Uma outra saída (para 7,3%) seria a criação da guarda municipal. Para 3,3%, leis mais rigorosas seria parte da solução.
O professor Cláudio Luiz Chiusoli, diretor do Inbrape Pesquisas - instituto com 20 anos de experiência - e responsável pela apresentação dos resultados, esclareceu que o trabalho traduz a impressão momentânea dos londrinenses abordados sobre o problema da violência. Ele explicou que o número de pessoas abordadas é representativo para este tipo de pesquisa, que buscar medir a ''sensação'' do londrinense em relação a um determinado tema.
Por outro lado, comentou que os percentuais obtidos, provavelmente, seriam muito semelhantes aos de uma pesquisa que tivesse como objetivo detectar a opinião de toda a população. ''Estatisticamente, a pesquisa é muito confiável e reflete o estado de espírito da população ouvida no momento da aplicação do questionário'', reforçou o diretor.
Chiusoli ressaltou que os dados podem contribuir na discussão de políticas públicas de combate ao problema.

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