Exclusão de cadastro revolta sem-terra
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terça-feira, 24 de março de 1998
Luciane Tonon 
Carlos AlmeidaPouca terraCadastramento na Santa Laura: área de 1.490 hectares é considerada pequena para o número de famílias Quatorze das 84 famílias que ocupam a Fazenda Santa Laura, em Ibaiti (80 km ao sul de Jacarezinho), foram excluídas pelo Incra do projeto de desapropriação e terão que desocupar a área em dois meses. A maioria dos excluídos é formada por pessoas solteiras ou que vivem separadas da família. Algumas estão no assentamento desde a invasão, em 1991.
Estou aqui desde o começo e minhas terras são uma das que mais rendem. Portanto, já entrei na Justiça. Não pretendo sair daqui. Só sairei à força, afirma o assentado Adalto Garcia Cunha, 41 anos. Segundo o líder do assentamento, Elias Borgatto, 34 anos, Cunha foi excluído porque não estava na propriedade quando o Incra fez o cadastro. Eu acompanhei a equipe três vezes na casa dele e não o encontramos, afirma o líder.
Já o assentado Doildo de Jesus Bonfim, 48 anos, comprou o lote de 14 hectares do posseiro Ângelo Laureano, há um ano e meio. Como o cadastro do Incra foi feito há mais de dois anos, o direito sobre as terras está no nome do primeiro dono, e Bonfim não poderá ficar na área. Só pode ter política no meio. Depois de tanto tempo investindo em maquinário, simplesmente querem que a gente saia?, questiona o assentado. Ele não está entre o grupo que invadiu a área. Mas de todas as famílias que estão aqui, somente 17 são invasoras. O resto chegou depois, argumenta.
A fazenda tem 1.490 hectares e o Incra alega que a área é pequena para o número de famílias. A chefe de divisão de assentamento do Incra, Sueli Pirollo, explicou que as pessoas que estão sendo excluídas da Fazenda Santa Laura não estão se enquadrando com as normas do Incra: não proprietário de outras terras; funcionário público ou militar; que se comprometa a morar com a família no local e outras. Nenhuma atitude foi tomada sem profundos estudos da situação local, garantiu Sueli.
Todos os excluídos entraram na Justiça contra o Incra. O advogado Paulo Barbosa explicou que enquanto o processo estiver em trâmite, eles vão permanecer na área. Depois de tanto tempo juntas, as famílias já estão acostumadas e já dividiram a terra, disse o advogado.


