Albari RosaRosângela, de 37 anos, culpa os familiares pela situação que viveSentada num banco da sede da FAS, na rua Conselheiro Laurindo, centro de Curitiba, Rosângela Maria de Oliveira Mendes, 37 anos, dispara xingamentos contra os próprios familiares. ‘‘Roubaram minha dignidade quando me jogaram no hospital psiquiátrico’’, diz ela. Internada em 1986, Rosângela fugiu no ano seguinte para morar nas ruas. ‘‘Fiquei que nem bicho. A família não se interessa’’, reclama.
Mãe de três filhos, Rosângela pertence a um grupo distinto ao de Eleomar Pereira (leia texto ao lado): o que procura por vontade própria a FAS. ‘‘Venho para tomar banho e fazer a higiene pessoal’’, afirma. Ela, porém, se recusa a dormir nos albergues do órgão. ‘‘Durmo na rua ou na casa de parentes. Aqui não tem lugar para mim porque eu tenho família.’’
Falando de maneira rápida e gesticulando bastante, Rosângela acusa os funcionários da FAS de lhe tratarem mal. ‘‘Não dão atenção. Dizem ‘não mexe aqui, não entra ali’, que eu sou uma psicótica agressiva’’, afirma. ‘‘Não sou. Só falo o que me vem à cabeça.’’
Albari RosaJúlio César, de 22 anos, foi atropelado e espera tratamento e uma camaAo contrário de Rosângela, Júlio Cesár do Espírito Santo, 22 anos, não está sentado no banco à espera de um banho. Com uma faixa na cabeça, que lhe cobre parte do rosto, os lábios inchados, Santo aguarda tratamento e uma cama para descansar. Morador das ruas há três anos, desde que a mãe morreu, o jovem havia sido atropelado por um ônibus, ao tentar atravessar a rua, durante a madrugada de terça-feira, 15 horas antes de ser entrevistado pela Folha. O estado de saúde era bom, mas Santo teria que ficar uma semana sob cuidados da FAS.(J.A.)

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