Excluídos se unem para cobrar direitos
Adriana Ribeiro
A falta de ética na política, o desemprego, a violência e as poucas opções de educação gratuita e de garantia para todos serão os assuntos abordados durante o 4º Grito dos Excluídos, que será realizado na segunda-feira, em cerca de mil cidades brasileiras.
Com o tema Aqui é meu país, o movimento espera chamar a atenção da sociedade para o problema das pessoas que vivem em condições precárias, como os desempregados, os meninos de rua, os favelados, os analfabetos, os sem-terra. No Paraná, o grito acontece nas principais cidades do Estado. Dom Ladislau Biernaski, bispo auxiliar de Curitiba, acredita que o maior movimento acontecerá em Ponta Grossa, onde, no dia 7, haverá o encontro dos sem-terra que estão em marcha pelo Paraná, com destino a Curitiba, onde devem chegar na quarta-feira.
Em Curitiba, o evento acontecerá no Bairro Novo. Às 9 horas terá início uma caminhada pelas principais ruas do bairro. No percurso serão feitas paradas para orações e reflexões. Uma benção de alimentos marcará o encerramento do grito. Deverão participar da caminhada famílias, representantes de paróquias, escolas, sindicatos, pastorais, associações e movimentos populares.
A idéia de realizar o Grito dos Excluídos, segundo dom Ladislau, é despertar a sociedade para a busca de soluções para o problema dos brasileiros que vivem em condições de miséria. Para ele, as pessoas não devem ficar esperando apenas respostas dos governos, mas sim formar grupos que, fortalecidos, podem se tornar capazes de reivindicar as condições básicas aos órgãos competentes.
Pesquisas mostram que, no Brasil, 29% da população vive abaixo da linha da miséria, recebendo menos de R$ 1,00 por dia de trabalho. Outros 30% estão na linha da pobreza, que são aqueles que sobrevivem com até quatro salários mínimos mensais. Enquanto isso, apenas 5% são considerados ricos.
Uma saída para essa má distribuição de renda, para dom Ladislau, depende de uma inversão dos valores adotados pelo governo. Segundo ele, antes de socorrer bancos e pensar somente na industrialização, é necessário priorizar a criação de empregos, habitação, saúde e educação.





