Mauro Frasson

O GritoEm Londrina, manifestantes foram até a avenida Leste-Oeste e encerraram o desfile de 7 de setembro (abaixo). Na capital, a concentração do Grito dos Excluídos foi em frente à Igreja do Cabral (acima)

Mário César


Cerca de 300 pessoas participaram do 3º Grito dos Excluídos em Londrina, uma manifestação contra a política do governo federal nas áreas social e econômica. A maioria delas era de mototaxistas, que lutam pela regularização do serviço na Cidade. A concentração dos manifestantes foi no coreto, no Calçadão (área central), logo no começo da manhã.
Durante a concentração, muitos cantos pela justiça e igualdade social e o pronunciamento de membros dos movimentos populares. Organizado pela Pastoral Social, o protesto teve a participação da Central dos Movimentos Populares, Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Antes da saída, os organizadores mostraram as diferenças sociais através de uma balança. Em um dos pratos, organizações populares participantes do Grito. No outro, a Bíblia, que ia perdendo a força conforme as injustiças sociais pesavam no prato. Dívidas interna e externa, latifúndio, compra de votos e neo-liberalismo foram destruídos com uma tocha de fogo, devolvendo o equilíbrio à balança.
Munidos com faixas, cartazes e cartões vermelhos, os manifestantes gritavam por justiça e dignidade e expulsavam os maus governantes. Fome, desemprego, violência, corrupção, injustiça, analfabetismo, política econômica, falta de moradia, de saúde, todas as injustiças ganharam cartão vermelho.
O Grito seguiu pelas ruas centrais até a avenida Leste-Oeste onde acontecia o desfile cívico de 7 de setembro. Os manifestantes seguiram atrás da apresentação de carros antigos e jipes, encerrando o desfile. O grito foi dado logo depois do palanque onde autoridades assistiam ao desfile. No local, mais preces e músicas e um balão de gás foi solto levando a mensagem da manifestação: independência, dignidade e justiça.
Em Curitiba, participaram do protesto 700 pessoas, segundo a Polícia Militar, e mil, segundo os organizadores. A celebração ocorreu simultaneamente ao desfile cívico-militar, mas em outra região: os manifestantes fizeram uma caminhada da Igreja do Cabral até o presídio do Ahu. Eles usaram apitos e cartões vermelhos para simbolizar descontentamento com o governo de Fernando Henrique Cardoso.
Discursos, hinos religiosos e palavras de ordem pediam uma sociedade mais justa, liberdade e reforma agrária. Também sobraram protestos contra ‘‘o governador Jaime Lerner e o PFL’’. ‘‘O 7 de Setembro deve ser compreedido como um dia para o grito dos pobres, do povo excluído, que é o que a pátria tem de mais nobre, e para questionar se é correto esse modelo que privilegia os mais ricos’’, disse Roberto Baggio, do MST.
Além dos sem-terra, participaram da manifestação pastorais católicas, representantes da Igreja Anglicana e até integrantes do movimento punk. Em alusão à Campanha da Fraternidade deste ano - que teve como tema os encarcerados -, cinco condenados que cumprem pena em regime semi-aberto se apresentaram, cantando hinos religiosos.
O bispo-auxiliar de Curitiba, Dom Ladislau Biernaski, acompanhou os demais manifestantes nas críticas à política econômica e social do governo, mas destacou uma iniciativa positiva tomada no Paraná em relação aos encarcerados: a formação de uma comissão para selecionar condenados por crimes leves que cumprirão penas alternativas.

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