Excluídos fazem manifestação
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de setembro de 1998
Celso Mattos 
Foi realizada ontem, no Calçadão de Cambé (13 km a oeste de Londrina), a Celebração do 4º Grito dos Excluídos, organizada pela Pastoral dos Migrantes do Jardim Tupi, Associação de Defesa e Proteção dos Direitos da Saúde e Pastoral Operária. A manifestação deveria ter sido em 7 de setembro, mas foi transferida para ontem devido a chuva. Cantando hinos, citando trechos da Bíblia e fazendo representação da sacola vazia, os manifestantes criticaram o desemprego, a falta de verbas para a saúde e o descaso dos governantes.
Segundo Maria Anideje, presidente da Associação de Defesa e Proteção dos Direitos da Saúde e uma das líderes do movimento, um dos problemas que mais afligem a cidade é a falta de verbas para a saúde. Estamos reivindicando mais hospitais e postos de saúde. As autoridades municipais, estaduais e federais precisam destinar mais verbas. Queremos a reabertura do Hospital Londrina, mas com atendimento pelo SUS, diz Maria Anideje.
O protesto contou também com depoimentos de desempregados que relataram as dificuldades que estão enfrentando. Além da fome, o desemprego causa depressão e abre espaço para a criminalidade, afirma Maria Anideje. A presidente da Pastoral Operária, Maria Inês Belansol, também apontou o caos na saúde como o problema que mais atinge as pessoas de baixa renda.
Para justificar o reduzido número de pessoas no protesto, Maria Anideje disse que o importante não é a quantidade, e sim a manifestação do descontentamento da população.


