Perto de dar a luz ao primeiro filho, a expectativa da dona de casa Ana Paula dos Santos, 27 anos, de ver o rostinho de Antony Miguel se mistura à insegurança do bairro onde mora. Há alguns dias, uma adolescente foi atropelada na calçada de casa, na Rua Ildo Garcia. Ana Paula mora em uma rua paralela, a São Sebastião, onde os motoristas já provaram que não sabem o que é limite de velocidade. Eles sobem e descem os 500 metros de asfalto que ligam o Jardim Ana Terra ao Residencial Vista Bela (Zona Norte de Londrina) em alta velocidade.
''Deveriam por um quebra-molas para obrigar os motoristas a diminuírem a velocidade. Até os ônibus escolares sobem e descem na maior velocidade. Isso é uma vergonha, porque entra político e sai político e é só promessa'', desabafa Ana Paula. Na opinião da moradora, o problema aumentou depois da implantação do Vista Bela, já que resultou em mais moradores, mais carros, motos e ônibus na região. ''Faltou planejamento.''
A dona de casa Maria Vieira mora no bairro há nove anos e compartilha dos mesmos problemas da vizinha. ''Quando vim para cá eram só duas casinhas. Ter vizinho é bom, mas sou a favor de lombadas e seria melhor também se a Ido Garcia só subisse e a São Sebastião descesse'', sugere.
A comerciante Dorli de Oliveira confirma que o movimento de veículos cresceu junto com o Vista Bela. Ela e a família vivem no Ana Terra há 15 anos e estão assustados com a falta de responsabilidade da maioria dos motoristas. ''Os ônibus correm mais ainda quando não tem ninguém no ponto'', destaca.
O arquiteto do Instituto de Planejamento e Pesquisa de Londrina (Ippul), Hiraka Ohara, explicou que os moradores devem procurar o Instituto. ''Precisa ir até o Ippul e fazer um requerimento para alertar os profissionais sobre os problemas do local e relatar o que está acontecendo. A partir daí um engenheiro vai pessoalmente até o local e faz uma análise do que deve ser feito.''
Já o gerente geral da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), Gildalmo Mendonça, afirma que todas as reclamações são bem-vindas, pois é a partir delas que a empresa pode corrigir falhas. ''É importante que os moradores identifiquem os ônibus e o horário para que possamos fazer a devida verificação. A identificação está nos quatro lados do veículo e todos os ônibus possuem tacógrafo e são vistoriados diariamente. Temos mais de 800 veículos circulando nas ruas e pode acontecer de algum motorista descumprir as normas de trânsito e as orientações que recebem da empresa. Portanto, as pessoas devem reclamar e podem fazer isso pelo 0800-4007020,'' explica.

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