Excesso de peso em mochila prejudica crianças
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
Alana Gandra<br>Agência Brasil 
Com a volta às aulas programada para fevereiro em grande parte do País, o excesso de peso nas mochilas escolares preocupa o Sindicato dos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais no Estado do Rio de Janeiro (Sinfito-RJ). "É um problema porque o excesso de peso do material escolar tem dificultado a questão da saúde da coluna", afirmou o diretor do Sinfito-RJ, Júlio Guilherme Silva. Segundo ele, é frequente uma criança carregar até dez quilos de material escolar nas costas.
Silva ressaltou que manter o excesso de peso a longo prazo pode causar problemas posturais. O ideal, segundo ele, é que o peso total de livros e cadernos não ultrapasse 15% da massa corporal da criança. O que significa dizer que se uma criança pesa 50 quilos, a mochila deverá pesar, no máximo, 7,5 quilos.
O diretor da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia do Rio de Janeiro (Sbot-RJ), Marcos Britto, informou que mochilas pesadas podem gerar nas crianças e adolescentes dores musculares, nas articulações, no pescoço e nos ombros.
Marcos Britto descartou que o peso da mochila possa causar escoliose, que é um desvio da coluna vertebral. "Escoliose é um problema estrutural. Excesso de peso não provoca esse desvio", garantiu. Segundo ele, como a mochila pesada causa dores nas costas, é importante distribuir o peso, especialmente quando o volume é utilizado por crianças.
RECOMENDAÇÕES
Para estudantes acostumados com as mochilas, o diretor do Sinfito-RJ, Júlio Guilherme Silva, recomendou alongamentos ao longo do dia e trabalho de reeducação postural para que a musculatura consiga suportar uma carga maior de peso. Outra dica é manter a postura reta.
Silva acrescentou ainda que, além do excesso de peso do material escolar, também podem contribuir para os desvios de postura a forma de sentar, a altura da carteira escolar e as atividades realizadas no computador.
De acordo com o ortopedista Marcos Britto, é importante estar atento a escolha da mochila. O ideal é que o estudante utilize uma bolsa acolchoada com duas alças largas para os ombros e tiras abdominais que a mantenham próxima ao corpo. "A opção com rodinhas é interessante", considerou.
Britto alertou ainda que é necessário observar o comprimento da mochila. "Ela não pode ficar abaixo das nádegas e deve terminar pelo menos uns cinco centímetros acima. A mochila tem de ser proporcional ao tamanho da criança", ponderou o diretor da Sbot-RJ. Ele acrescentou ainda que as bolsas com apenas uma alça, do tipo "carteiro", são recomendadas apenas para carregar pouco peso.


