Excesso de flúor prejudica 55% das crianças
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 29 de setembro de 1997
Curitiba 
Uma pesquisa feita pela Secretaria Municipal da Saúde em 24 escolas de Curitiba mostra que 55,3% das crianças com até 12 anos tem fluorose - problema causado pela ingestão excessiva de flúor e que mancha o esmalte dos dentes. O estudo avaliou 380 pré-adolescentes e detectou o problema - considerado leve em mais de 96% dos 2800 dentes afetados.
A pesquisa tomou como amostra os alunos de 17 escolas públicas e sete particulares, que foram visitados por 15 dentistas e cinco técnicos em higiene dental da Secretaria Municipal da Saúde.
Um dos resultados obtidos diz respeito ao índice de cáries. Segundo a pesquisa, o índice é de 1,81 cárie por criança. A Organização Mundial de Saúde tolerará que, no ano 2000, o índice seja de no máximo 3 - três dentes cariados, obturados ou perdidos por causa da doença cárie em toda a dentição. No ano passado, um levantamento da incidência de cáries em crianças com 12 anos apontou índice 2,6.
Quase 67% dos 124 alunos das escolas particulares investigados apresentaram fluorose. Nas escolas públicas a incidência é menor: das 256 crianças examinadas, pouco menos de 50% tinham a doença. Segundo a dentista Vera Lídia Alves Ferreira, coordenadora da pesquisa, a explicação para a diferença é sócio-econômica.
Os alunos da rede privada, cuja condição sócio-econômica permite maior acesso a medicamentos e produtos odontológicos contendo flúor, segundo Vera, têm 35% mais chance de ter fluorose. O ideal é que as pessoas consumam o flúor existente em alguns alimentos (como couve-flor, chá preto e peixes), na água de abastecimento tratada e nos cremes dentais usados com moderação, ensina.
A fluorose afeta os dentes em formação. Em graus discretos, pode não ser percebida, mas em graus mais avançados ocupa toda a área do dente e o torna permeável aos pigmentos dos alimentos. O dente fica, então, manchado de outras cores.


