Jataizinho - Até o final da tarde de ontem, o nível do Rio Tibagi, no Norte do Estado, estava a apenas 2% de seu limite de transbordamento. O Corpo de Bombeiros de Ibiporã está monitorando a situação no manancial já que a previsão é de mais chuva para as próximas horas.
Em Ibiporã e Jataizinho, a situação é mais preocupante. Moradores ribeirinhos estavam em alerta ontem porque o nível do rio continuava subindo e já colocava em risco de alagamento algumas áreas. Na Vila Pimenta, área invadida entre a BR-369 e a linha férrea, as cerca de 30 famílias estavam apreensivas. ''O rio já está começando a dar medo'', afirmou um morador.
Duas ilhas onde funcionam lanchonetes - São Luiz e do Baiano - estavam quase submersas nas águas barrentas. A linha d'água também já marcava muros e cercas de chácaras localizadas nas duas margens.
Dona de uma lanchonete na Vila John Kennedy a poucos metros do leito do rio, Vera Lúcia estava ''confiando em Deus'' para que a água começasse a baixar. ''Noite passada não dormi. Coloquei o despertador de meia em meia hora para ficar monitorando o rio'', confessou.
Em quase duas décadas tendo o rio como extensão do quintal, a comerciante aprendeu que não dá para desafiar a natureza. ''Em janeiro 2003, a água subiu até o telhado. Tirei minha filha e fiquei no forro porque tinha medo de sair e outras pessoas aproveitassem para roubar o pouco que ainda dava para salvar.'' Em 1996, uma outra cheia também quase arrastou a lanchonete rio abaixo.
O subtenente Saul Brenzink, que comanda o Corpo de Bombeiros de Ibiporã, assegurou que a situação estava sob controle, mas lembrou que o risco de transbordamento do rio era real, uma vez que a chuva não dava trégua.
''Estamos observando a situação de perto. Caso o nível do rio continue subindo e ultrapasse o leito normal, teremos de tomar providências para retirar a população em maior risco'', apontou.
A assessoria da Sanepar, empresa de abastecimento de água para Londrina e região, divulgou que o sistema operava normalmente na tarde de ontem e que não havia ainda a necessidade de interrupação da captação.

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