A gerência de fiscalização de alvarás da Secretaria da Fazenda de Londrina está estudando mudanças na emissão de autorizações para festas noturnas nos clubes da cidade. A partir desta semana estes estabelecimentos começarão a receber notificações para que façam o revestimento acústico dos salões de festas, como prevê o código de posturas do município.

Apesar do código existir desde 1990, a medida está sendo tomada agora, segundo o gerente de fiscalização Nicolsen Barros, porque houve um aumento no número de reclamações de moradores vizinhos pelo excesso de barulho. Ele afirma que os clubes terão um ''prazo razoável'' para realizar as adequações necessárias. Após esse prazo, os estabelecimentos correm o risco de serem proibidos da realização de eventos.

Na semana passada, por exemplo, o barulho da festa havaiana realizada pelo Londrina Country Club, irritou até moradores da Avenida Maringá, que estão há cerca de mil metros do clube. Uma dona de casa, que preferiu não se identificar, disse que foi impossível dormir porque, além do barulho da festa, tinha a algazarra das pessoas que estavam no local e nas proximidades. ''Até o padre comentou a barulheira durante a missa'', destacou.

Já a enfermeira Cristina Bobroff reclamou de outra festa realizada na Associação dos Funcionários do Banco HSBC, nas margens do Lago Igapó I. Ela mora do outro lado do lago, próxima à Avenida Bandeirantes. Apesar da distância, Cristina disse que o barulho era ensurdecedor. Ela ligou para a polícia que admitiu não ter o que fazer. ''Não se respeita o direito das pessoas que ficam em casa'', protestou.

Nicolsen explica que tradicionalmente essas licenças são concedidas para terceiros que locam os espaços dos clubes. ''Os clubes não costumam pedir autorização porque consideram suas promoções como parte das atividades oferecidas aos sócios'', justifica. Esses estabelecimentos, ressalta, são orientados a não realizarem festas ao ar livre.

A gerência apesar do papel fiscalizador, não possui gente disponível para vistoriar essas festas. Nicolsen disse que, através da comissão que estuda a poluição sonora na cidade, foi solicitado um telefone celular para o setor. Mas até agora não houve resposta do executivo. As reclamações contra o barulho, segundo o gerente de fiscalização, devem ser feitas por escrito e protocoladas no setor. O telefone da gerência de alvarás é 372-4441.

A Folha tentou, por diversas vezes, ouvir a promotora de Defesa do Meio Ambiente, Luciana Lepri Moreira, mas ela não retornou as ligações.

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