Excesso de algas mata os peixes no Rio Miringuava
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quarta-feira, 20 de agosto de 1997
Guilherme Pupo 
Curitiba
Albari RosaPeixes morrem por causa do baixo índice de oxigenação da água do rioCentenas de peixes apareceram mortos no Rio Miringuava, na região do Parque Iguaçu, desde quarta-feira passada. A água poluída e o excesso de algas devem ter provocado a morte dos animais. Ontem, funcionários da prefeitura estavam retirando os peixes - a maioria, lambaris.
A água do Rio Miringuava é utilizada para o abastecimento da Região Metropolitana de Curitiba em épocas de estiagem, mas não estava sendo aproveitada pela Sanepar nos últimos dias.
Moradores da região ficaram incomodados com o cheiro dos peixes mortos e fizeram a reclamação. Técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e da Sanepar retiraram amostras da água e dos peixes e fizeram análises físico-químicas, de toxicidade (para organismos aquáticos) e de fitoplâncton (algas).
O laudo definitivo do IAP deve sair na próxima segunda-feira. Segundo a biológa do IAP, Maria Lúcia Biscaia, exames preliminares indicam que a água estava em processo de eutrofisação acentuada - com o calor, as algas se proliferam em maior velocidade, consumindo o oxigênio e liberando gás carbônico. Com a redução no índice de oxigenação, os peixes apresentam dificuldades para respirar e acabam morrendo.
Segundo análise dos técnicos da Sanepar, não há nenhum produto que possa comprometer a qualidade da água, apesar dela estar poluída - o rio recebe o lançamento de esgotos de moradores da região, que é ocupada de forma irregular.
Não detectamos nenhum indício de metais pesados, pesticidas ou substâncias tóxicas que possam ter provocado a morte dos peixes, disse a chefe da Divisão de Produção de Água da Sanepar, Eloize Motter Rodrigues.
Segundo ela, o rio Miringuava serve como manancial alternativo para captações de emergência da Sanepar. Em épocas de estiagem, a água é somada ao abastecimento do rio Iguaçu. Quando isso acontece, os peixes permanecem no Miringuava, já que há grades de proteção que impedem a passagem dos animais.


