Excesso de algas deixa 185 mil sem água
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quinta-feira, 14 de setembro de 2006
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
A rotina da dona-de-casa Edna de Carvalho virou de cabeça para baixo durante todo o dia de ontem. Como era dia de folga do trabalho como diarista, ela aproveitaria o tempo para preparar o almoço da família, mandar as filhas para a escola e lavar a roupa acumulada durante toda a semana. Mas a interrupção no fornecimento de água bagunçou a vida da moradora do Jardim Sérgio Antonio, na Zona Leste de Londrina.
E ela não foi a única prejudicada. A falta de água atingiu perto de 185 mil habitantes em dezenas de bairros de praticamente todas as regiões da cidade.
''Fui pega de surpresa. Se tivesse um aviso antes, a gente teria se prevenido e dava um jeito de guardar água pelo menos para lavar a roupa'', queixou-se Edna.
Ao lado da montanha de roupa suja amontoada no quintal de casa, ela lamentava que teria que desistir do descanso do fim de semana e dedicar o sábado e o domingo às tarefas domésticas. Outro prejuízo para a família ocorreu na hora do almoço, já que a dona-de-casa precisou comprar marmitex para a refeição familiar.
A filha Luciene Brito, de 9 anos, chegou por volta das 13h20 na escola e voltou logo em seguida. As aulas foram suspensas também pela falta de água. ''Não gostei de ficar sem aula. Não falaram nada, mas acho que amanhã vai ser normal'', disse a aluna da 4 série do Ensino Médio.
A previsão da Sanepar é que o fornecimento nos bairros atingidos fosse normalizado até o final da tarde de ontem. De acordo com o gerente metropolitano da empresa, Sérgio Bahls, um problema incomum causou a falta de água para os moradores de Londrina e Cambé: excesso de algas no Rio Tibagi, o principal manancial de abastecimento da cidade, que responde com 54% da água consumida na região metropolitana de Londrina.
A consequência imediata foi a redução em 50% da capacidade da estação de tratamento de água. Os filtros, que precisam ser lavados a cada 50 horas, passaram a ser limpos de duas em duas horas. Por isso, foi necessária a implantação de um rodízio entre os bairros. Outro fator que contribuiu com o aumento da quantidade de algas foi a falta de chuva. Segundo a Sanepar, a atual estiagem é a pior dos últimos 42 anos.
''Este é um tipo de alga que se alimenta da ração de peixe. É provável que algum descarte de grande porte de ração tenha sido feito por algum dos pesque-pagues que existem na região'', comentou Sérgio Bahls.
Segundo ele, a dificuldade no tratamento resultou na necessidade do rodízio. No final da tarde de ontem, a empresa definiria se os cortes de fornecimento seriam necessários em outros bairros e quais as possíveis regiões que seriam afetadas.
A estação de captação da Sanepar no Rio Tibagi funciona desde 1992 e é a primeira vez que enfrenta um problema desse tipo. A qualidade da água que chega ao consumidor, no entanto, não sofreu alterações. ''A água que passa pela estação de tratamento é tratada com nível de qualidade garantida para chegar às residências'', concluiu Bahls.


