Excesso causa transtorno na saúde
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de maio de 1999
Sid Sauer 
A secretária de Saúde de Campo Mourão, Rosemeire do Carmo Martelo, disse à Folha que a existência de médicos ao-ao ajuda a aumentar as filas de atendimento no Consórcio Intermunicipal de Saúde dos Municípios da Região de Campo Mourão (Ciscomcam).
Chamamos de médicos ao-ao aqueles que mandam grande parte de seus pacientes ao cardiologista, ao ortopedista, ao neurologista ou a um outro especialista qualquer, explicou.
Segundo a secretária, o excesso de envio de pacientes ao atendimento especializado gera grandes filas de espera e custa caro para o sistema público de saúde, que tem que arcar com os exames. Cerca de 70% dos exames realizados pelo Ciscomcam dão negativo, frisou Rosemeire.
É um índice muito alto que poderia ser reduzido se os clínicos gerais tivessem um pouco mais de cuidado, frisou a secretária, que é enfermeira.
Rosemeire ressaltou que os médicos ao-ao são uma minoria entre os profissionais do setor, mas acabam comprometendo toda a categoria. Ela disse entender que a culpa é do comodismo de parte dos clínicos gerais. Muitas vezes pode ser mais fácil encaminhar o caso para um especialista, disse.
O Ciscomcam atende os 25 municípios da região de Campo Mourão. Os pacientes chegam ao consórcio encaminhados pelos postos de saúde de toda a região. -
A secretária também ressaltou que o atendimento no Ciscomcam poderia ser melhor se as pessoas comunicassem ao órgão todas as vezes que desistem da fila da espera.
Cerca de 30% das consultas agendadas acabam canceladas porque o paciente não aparece no dia marcado. Nesse caso, eles perdem a vez e têm que enfrentar uma nova fila.


