Leópolis O relatório de coleta e análise de amostras de solo e de água realizada em Leópolis (35 Km ao norte de Cornélio Procópio) aponta índice de contaminação por chumbo nos dois exames. O laudo, elaborado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) através do departamento de Química, foi divulgado no último dia 21 e será anexado ao processo que levou ao fechamento da fábrica de baterias Durexcell no último dia 17, através de um decreto da prefeitura.
A reportagem da Folha teve acesso aos laudos apresentados ontem pela vereadora Fernanda Pinheiro (PMDB), responsável pela denúncia de contaminação dos moradores, no mês de abril, quando a situação começou a ser apurada. O documento está assinado pelos professores da UEL Dílson Norio Ishikawa e Sônia Regina Giancoli Barreto.
No dia 29 de setembro, funcionários da UEL recolheram amostras do solo em 11 propriedades próximas à fábrica, em profundidade entre 20 e 30 cm. As áreas estão localizadas de 30 metros a 2 quilômetros da fábrica. Duas amostras de água, uma no Riacho Benjamim, às margens da estrada, e outra na mina de água que abastece a sede da fazenda Leópolis, também foram coletadas. Todo o trabalho foi acompanhado por representantes do Ibama e da Emater.
Os resultados apontam que no solo as 11 propriedades atingem índices de contaminação superior ao permitido. De acordo com a referência da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), ligada à Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo, órgão responsável pelo controle, fiscalização, monitoramento e licenciamento de atividades geradoras de poluição, a concentração de chumbo no solo deve ser inferior a 17 mg/kg. O ambiente estará em situação de alerta quando atingir 100 mg/kg de solo.
Os resultados em Leópolis, de acordo com o professor Ishikawa, atingem uma média de 43mg/kg de solo. ''É uma grande concentração de chumbo, acima do ideal, mas abaixo do nível de alerta.'' Segundo ele, a situação é ''extremamente preocupante''. ''Dada a situação da região que consome o gado e o leite produzidos ali, a contaminação pode acontecer na população que consome esses alimentos'', afirmou.
O professor explica que o vapor de ácido produzido pela fumaça que sai da fábrica também ajuda a solubilizar o chumbo, o que pode contaminar as pessoas através do ar. ''Na visita que fizemos à fábrica fica visível a emissão da fumaça e o mal cheiro espalhado no ar.''
O índice apurado nos exames da UEL indica concentração mínima de 31,09 mg/kg e máximo de 49,95 mg/Kg. Numa das fazendas, distante 2 km da fábrica, onde foi feita a contraprova do exame, o índice de chumbo registrado foi de 37,47mg/kg.
Para as amostras de água, o limite de detecção de chumbo, de acordo com a Cetesb, é de 0,053 mg/litro. No resultado do Riacho Benjamin, o limite de detecção (LD) está menor que o permitido. Já na amostra coletada na mina da sede fazenda Leópolis, o resultado foi 0,091mg/l.
De acordo com a vereadora, a expectativa é que a partir de agora o problema seja solucionado. ''Esperamos que os órgãos competentes avaliem a situação e tomem providências para resolver o problema.''
O assessor jurídico da prefeitura de Leópolis, Marcos Cezar Kaimen, informou que os resultados serão encaminhados ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Poder Judiciário e Ministério Público. ''Os órgãos competentes terão que tomar as providências e responsabilizar a fábrica pelos danos ambientais''.
A reportagem tentou entrar em contato com o chefe do IAP de Cornélio Procópio, José Mariano de Macedo, mas ele não retornou a ligação.

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