Arquivo FolhaFora do localO líder do MST, Josmar Choptian: segundo peritos, ele não estava na casa onde aconteceu o crime Os laudos finais do Instituto de Criminalística revelam que apenas cinco pessoas estavam na casa no momento em que foi disparado o tiro que matou o segurança José Lopes de Oliveira, o Django. O resultado dos exames técnicos também descarta a participação do chefe regional do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Josmar Choptian. ‘‘Ele estava armado, mas não estava na casa no momento do crime’’, garante o subchefe do Instituto de Criminalística, Geraldo Gonçalves de Oliveira Filho.
Django foi morto no dia 27 de abril na fazenda Borborema, em Tamarana (60 km ao sul de Londrina), durante um conflito com sem-terra que estavam acampados na propriedade. Oliveira Filho explica que a Criminalística identificou os rostos para a Polícia nominar. Ele ressalta não poder afirmar se as pessoas são ou não sem-terra.
As pessoas foram identificadas através da comparação de imagens feitas pela TV Londrina antes e depois do crime. As cinco pessoas que participaram do crime estiveram numa reunião anterior ao crime, com Choptian e outras duas pessoas. A TV não gravou o som da reunião, que teria sido fechada à imprensa.
Nas imagens, quatro deles aparecem armados e dois, sem armas. Segundo o perito Faniel Felipeto, um dos sem-terra, que está desarmado e é levado mancando até um carro, provavelmente estava dentro do quarto e teria sido atingido pela bala depois que ela atingiu o segurança.
‘‘Essas cinco pessoas apareciam rodeando a casa, entraram e depois somem das imagens, reaparecendo logo depois do tiro’’, explica Oliveira Filho. Como todos estavam com o rosto coberto, a identificação foi feita através de detalhes da roupa, armas que carregavam e pertences pessoais como relógio.
Além de exames no local do crime, a investigação da Criminalística inclui exames de balística, cromatologia e computação gráfica. Essa foi a primeira vez que o Instituto de Criminalística local reconstitui um crime através de imagens tridimensionais e animadas. O material gráfico foi produzido a partir da posição final do cadáver, sinais do sangue no chão e trajeto da bala no corpo. O corpo de Django foi encontrado com o rosto voltado para a janela.
A animação gráfica completa o material da TV Londrina, que não tem registrada a cena do crime. A partir das imagens, a Criminalística concluiu que o grupo teria invadido a casa pela cozinha, passou pela sala e dominou os seguranças no quarto. ‘‘Essa animação poderá ser usada pela Promotoria Pública durante o julgamento para precisar aos jurados como aconteceu o crime’’, diz Oliveira Filho.
O exame de cromatologia, realizado em conjunto com a Universidade Estadual de Londrina (UEL), revelou que a bala encontrada na casa foi a que matou Django. O resultado foi obtido através da comparação entre fragmentos colhidos no assoalho do quarto e na bala. Django foi morto com uma arma calibre 38. Segundo Oliveira Filho, o tiro pode ter sido disparado de um revólver ou de uma arma de cano longo, provavelmente uma espingarda Puma.

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