Exames de Supletivo são questionados
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terça-feira, 08 de agosto de 2006
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba O resultado dos exames supletivos de conclusão dos ensinos Fundamental e Médio, realizados nos dias 9 e 10 de junho em todo Estado, ainda pode sofrer modificações. Esta semana, o Colégio Evidente, de Curitiba, que tem cerca de mil alunos em cursos preparatórios para o Supletivo, entrará com recursos em nome dos estudantes junto à Secretaria Estadual de Educação (Seed) questionando o teor e elaboração de várias questões dos dois exames.
Caso o Departamento de Educação de Jovens e Adultos (Deja), responsável pela elaboração das provas, acate os recursos apresentados, o resultado das provas pode mudar pela terceira vez. Na última sexta-feira, depois que alguns inscritos questionaram o primeiro gabarito das provas divulgado no site da Seed, o Deja já publicou um segundo resultado.
Nessa segunda versão, foram anuladas quatro questões das provas para o Ensino Médio e duas do Fundamental. Os exames do Supletivo são realizados em duas etapas. A primeira etapa do Exame para o Ensino Médio abrangeu as disciplinas de biologia, química, inglês, português e literatura, com 20 questões para cada tema. Para o Ensino Fundamental, foram feitas provas de português, inglês e ciências. A segunda etapa acontece nos dias 10 e 11 de novembro, quando os alunos responderão às provas de física, matemática, história e geografia. Para as provas do Supletivo, o estudante pode se inscrever para cada disciplina isoladamente. Assim, se reprovar em uma matéria, deverá fazer apenas o exame específico novamente.
''Se o aluno ou escola entram com recurso, nós verificamos se houve algum erro, se há dubiedade de respostas ou de interpretação que possam prejudicar os participantes. Nesse caso, as questões podem ser anuladas. Essa já é uma postura histórica da secretaria'', explicou Maria Aparecida Zanetti, coordenadora do Deja.
Segundo o coordenador do Colégio Evidente, Marcos Antonio Cardoso de Sousa Junior, o recurso da escola é contra várias questões, por má elaboração ou não serem condizentes com o programa previsto em edital, entre outros argumentos.
''As provas são elaboradas de forma irresponsável, com erros grotescos de formatação, digitação e de elaboração dos exercícios. Outro problema é que a prova não avalia o aluno, porque ela é galgada sobre paradigmas de ensino de 20 anos atrás. Tudo isso prejudica os alunos que estão preparados de acordo com o conteúdo programático do edital'', afirma o professor de português e literatura Rafael Cardoso, dos colégios Spei e Evidente.
A diretora do Centro Estadual de Educação Básica de Jovens e Adultos (Ceebja) Paulo Freire, Terezinha Rossi, também critica as provas. ''Você não pode fazer uma prova com nível de vestibular para o exame supletivo. É um público diferente, são pessoas que precisam do ensino médio para conseguir um emprego'', diz. Ela conta que já enviou, inclusive, um relatório para a Seed questionando o fato de não serem professores que elaboram as provas, mas sim técnicos da secretaria, que não têm contato com os alunos em sala de aula.


